“21 Pontes”: Chadwick Boseman bloqueia Manhattan num “thriller” oco e banal

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Filme é produzido pelos irmãos Russo e com Chadwick Boseman, mas sem os resultados a que nos habituaram no Universo Cinematográfico Marvel.

Produzido pelos irmãos Russo (“Capitão América: Guerra Civil”, “Vingadores: Guerra do Infinito” e “Endgame”) e realizado por Brian Kirk (“Dexter”, “Luther”, “A Guerra dos Tronos”), “21 Pontes” é liderado por Chadwick Boseman (“Black Panther”) como Andre Davis, um detective que segue o código de procedimentos a todo o custo.

Após dois ladrões assassinarem oito polícias num assalto que correu mal, Davis decide impedir a sua fuga bloqueando as 21 pontes que conectam Manhattan. Será uma noite intensa onde, apoiado por uma polícia da Unidade de Narcóticos (Sienna Miller) e apoiado pelo Capitão Mckenna (J.K.Simmons), terá de ser estratega e avaliar bem os seus aliados.

Apesar do conceito que envolve o encerramento de Manhattan augurar uma possibilidade visceral e desesperante para os nossos suspeitos, tendo em conta as possíveis consequências da movimentação na metrópole e da fuga, o argumento de Adam Mervis e Matthew Carnahan perde a oportunidade de colocar os dois fugitivos numa posição autofágica.

Estranhamente, ao optar por se centrar em Davis como vítima das suas próprias decisões no passado, distorcendo a linha entre o que é ser-se presa ou predador, “21 Pontes” traz uma terceira entidade para aumentar a confusão narrativa, tornando-se apenas um festim de ação, orquestrado com carros a alta velocidade, tiroteios intermináveis e mesmo a típica e inevitável cena no interior do metro… ao ponto de chegarmos a esquecer que as pontes foram encerradas.

Havia aqui espaço para ser um “thriller” com comentário social ou explorar o abuso de força policial ou a corrupção, mas a opção recaiu num bajular acentuado sobre as qualidades policiais de cada personagem relevante para justiticar e fazer avançar a ação… e numa pen USB como dispositivo desbloqueador da história.

Simplista, preocupado com a intensidade da perseguição e a velocidade das balas, o argumento tem momentos demasiado reveladores e só falta ter alguém a piscar-nos o olho.

Pela estranheza, a repetição de frases ditas por diferentes personagens também nos alerta para um possível “twist” final e a inclusão de atores de renome, como J.K.Simmons, em papéis curtos e secundários, também é uma característica indulgente de um filme que tende em menosprezar a nossa curiosidade e perspicácia…

Versão “light” de uma narrativa à Michael Mann, “21 Pontes” espreme o “background” das suas personagens e larga-as à deriva, ocas, à mercê da intensidade. Intérpretes mais físicos que emocionais, Chadwick Boseman e Sienna Miller são veículos que nos levam de choque em choque, tiro em tiro. Mas mesmo aí, não há aqui mais do que carros de polícia a travarem abruptamente e helicópteros a sobrevoar a cidade de Nova Iorque…

“21 Pontes”: nos cinemas a 12 de dezembro.

Crítica: Daniel Antero


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