“7500”. Joseph Gordon-Levitt está confinado com terroristas num “thriller” turbulento

⭐️⭐️⭐️ Um filme claustrofóbico, de pulsar suado e de deixar de rastos os espectadores.

SINOPSE: Quando terroristas tentam assumir o controle de um voo Berlim-Paris, um jovem co-piloto americano de falinhas mansas luta para salvar a vida dos passageiros e da tripulação, enquanto cria uma ligação surpreendente com um dos sequestradores.

Amazon Prime – 12 de junho.

Realizado por Patrick Vollrath, “7500” (o código para sequestro aéreo) é tensão durante 60 minutos e melodrama nos últimos 30, pronto a despoletar todas aquelas nossas dúvidas sobre a real segurança nos aeroportos e os momentos de imaginação fértil, fatalistas, que nos assaltam quando vamos voar.

Quantos de nós já não olhamos para o Duty Free e vimos várias armas artesanais em potência?

Neste caso, para os nossos vilões, muçulmanos demonizados a quem o co-argumentista Senad Halilbasic se esqueceu de dar contexto social e político para justificar os seus horríveis actos, as armas de recurso são facas feitas de vidro partido.

É o suficiente para criar o caos, com ferimentos, reféns e morte, sangrando o corredor do avião, enquanto Tobias (Joseph Gordon-Levitt), irá tentar manter o controlo e aterrar de emergência em Hannover.

Depois de uma abertura sinistra, onde câmaras de vigilância mostram quatro passageiros a fazerem os seus últimos preparativos pelos corredores do aeroporto de Berlim, entramos subtilmente no avião a meio dos procedimentos da tripulação. Com eles, quando a lente do diretor de fotografia Sebastian Thaler entra no cockpit, não voltamos mais a sair.

Patrick Vollrath explora em pleno o confinamento, prendendo-nos em metal e expandindo a ideia de fuga pela visão panorâmica das janelas do avião.

Com câmara solta, o realizador germânico contra-balança o ritmo semi-improvisado dos intervenientes com a porta fechada e os batimentos incessantes, que tanto de fúria como de desespero, vão aumentando os nervos dos passageiros, dos terroristas e de Tobias.

Mas Joseph Gordon-Levitt é o nosso piloto automático. E com um equilíbrio seguro, de registo estoico, suportado por mantras técnicos de quem tem um avião e vidas nas mãos, protege-nos da turbulência, controlando a sua vulnerabilidade e escondendo os momentos de fúria dos passageiros, mantendo-nos em rota de sobrevivência.

No entanto, no último terço de “7500” a tensão dá lugar ao melodrama e sentimos o ritmo abrandar. Vedat (Omid Memar), o sequestrador mais jovem, está cético e exasperado, e com a sua introdução e a relação momentânea que cria com Tobias, as motivações dos terroristas perdem-se com truques baratos de guião e jogos de empatia forçados.

Depois de encostarem os espectadores à cadeira, com as unhas cravadas na palma das mãos até conseguirem “aterrar”, as virtudes do realizador e do seu diretor de fotografia vão perdendo força, e o filme tem mesmo momentos enfadonhos de distância emocional que gradualmente vao desatando o nosso nó no estômago.

“7500” acaba por ser durante uma hora um “série B” galopante rumo às nuvens, mas a sua meia hora final “mainstream” e formulaica, falha a aterragem.


About The Author
-

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>