A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas

Imaginem que os irmãos Coen têm uma panca qualquer pelos “grand guignol” e escrevem um western para o Eli Roth.

“A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas” é isso mesmo: um twist macabro do argumento de The Searchers do John Ford, com personagens que não se calam,  saídas dos westerns de Howards Hawks…que não sabem que no fim da contenda, vão encontrar a brutalidade de Holocausto Canibal ou Canibal Ferox.

O filme começa com uma pequena cena antes dos créditos, que já vale o filme todo: Sid Haig e David Arquette, profanam um cemitério de uma tribo. Logo sofrem as consequências, ficando Sid morto e a personagem de Arquette a arrastar atrás de si uma tribo enfurecida, levando o caos para Bright Hope.

Aí, a doutora local, chamada para auxiliar o pobre bandido, é raptada. Kurt Russel, o xerife, enceta então uma busca pela “Desaparecida”. Três homens juntam-se a ele: Chicory, o ajudante falador (Richard Jenkins, igualzinho a Walter Brennan, o velhote que muito azucrinou a cabeça a John Wayne em Rio Bravo), o bom vivant Brooder (Matthew Fox a surpreender) e o pobre coitado Arthur (Patrick Wilson), marido da doutora, que passa todo o filme de muletas: “O Aleijado”.


Grande parte do filme é a caminhada de cinco dias, feita em três, repleta de diálogos a pautar o desenvolvimento da relação dos quatro homens, mais novelesco do que o normal para género, mas que resulta numa empatia sádica forçada pelo realizador S. Craig Zahler. Isto, porque os homens caminham para o desconhecido, onde o gore e o horror vão tomar parte, quando conhecerem a tribo raptora: os canibais “Trogloditas”. E nós vamos sofrer com isso.

Com todos os ingredientes para se tornar um filme de culto, A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas, é longo, mas vale pelos diálogos incisivos, a solidez dos actores e a violência criativa, muito própria de um filme série B.

ESTREIA: 26/01/17


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