“A Ilha da Fantasia”: da TV para o cinema, do realismo mágico para a mediocridade de adrenalina e terror

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Bem-vindos! Peçam um cocktail e relaxem. Se vos der o sono, aproveitem.

SINOPSE: O enigmático Mr. Roarke realiza os sonhos secretos dos seus sortudos hóspedes num luxuoso e remoto resort tropical. Mas quando as fantasias se transformam em pesadelos, os convidados precisam de resolver o mistério da ilha para conseguirem escapar com vida.

Numa ilha misteriosa gerida por Mr. Roarke (Michael Peña em baixo de forma), as fantasias secretas dos seus convidados são concretizadas. A que custo, teremos de esperar para saber pois este mestre de cerimónias poderá estar a viver uma simbiose com a própria ilha maldita.

A produtora Blumhouse decidiu violentar o realismo mágico da homónima série televisiva dos anos 1970 com as estrelas Ricardo Montálban e Hervé Villezaiche, que tinha uma aura fantasiosa e surrealista. Já esta nova iteração foi injetada de adrenalina e terror, tornando a sua premissa ainda mais negra e turbulenta.

Ou pelo menos era isso que o produtor Jason Blum e o realizador Jeff Wadlow pretendiam, mas a mediocridade instalou-se.

Com efeitos especiais sofríveis, representação ainda pior e um argumento rocambolesco que mistura princípios de “Lost” ou “Inception”, somos guiados pelos desejos de Gwen Olsen (Maggie Q), Melanie Cole (Lucy Hale), Patrick Sullivan (Austin Stowell) e JD (Ryan Hansen).

Enquanto assistimos ao desenrolar de quatro fantasias, convidados a embrenhar-nos no interior da ilha e na mente de cada um, compreendemos os seus propósitos e duvidamos dos seus valores. Percebemos, como eles, que não têm a noção do verdadeiro preço a pagar pelo seu sonho feito realidade. E como apanágio desta produtora norte-americana célebre pelos filmes de terror, desta vez o custo é a morte.

Este filme não andará muito longe disso. A sua longevidade nas salas de cinema durará pouco e mesmo que se torne um “video-on-demand” para aquelas noites em que apetece descobrir um novo “guilty pleasure”, dificilmente é possível ignorar o absurdo do argumento e o ritmo arrastado.

Esperemos que não se lembrem também de fazer uma reinvenção destas com “O Barco do Amor”.

“A Ilha da Fantasia”: nos cinemas a 13 de fevereiro.

Crítica: Daniel Antero


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