A INFÂNCIA DE UM LÍDER

Livremente baseado na história homónima de Jean Paul Sartre, A Infância de um Líder é a estreia do actor americano  Brady Corbet na realização. Com participações em filmes de Michael Haneke, Lars Von Trier ou Olivier Assayas, não é de estranhar o seu olhar com um registo autoral europeu, com capacidade hipnótica e manipulativa.

Como o nome indica, o filme explora a infância e serve como narrativa alegórica à  definição de personalidade de um líder fascista, sustentado nos seus traumas, frustrações ou birras. E é em birras ou o recalcamento da raiva, que o filme é dividido: 3 “tantrums ” mostram-nos vivências familiares onde é enaltecido o acto de reprimir e perdoar a Prescott, uma criança de dez anos com ares de Damien, do filme clássico de horror The Omen.

De ebulição misteriosa, onde os sinais ominosos nos surpreendem e ferem o estômago, a simples narrativa de A Infância de Um Líder perde-se por vezes no pretensiosismo artístico do realizador, mas é elevada pela negra e inquietante banda sonora de Scott Walker (quase como que um enfurecido Bernard Herrmann), a iluminação doméstica sombria saída de um quadro de Vermmer, e a excelente representação de Tom Sweet no papel de Prescott, Liam Cunningham, Bérénice Bejo  e o cada vez mais surpreendente Robert Pattinson, (aqui com dois papéis, um deles intrigante).

Vencedor do Prémio “Melhor Primeiro Filme” e “Melhor Realizador” (Orizzonti Award) no 72º Festival de Cinema de Veneza; e Prémio “Revelação TAP” na edição de 2015 do Lisbon and Estoril Film Festival (LEFFEST).
Estreia: 17 Novembro 2016


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