A Luz Entre Oceanos

Preparem os lenços de papel e o gelado de morango low fat. A Luz Entre Oceanos é um conflito salomónico saído de uma espécie de Nicholas Sparks ainda mais chorão. Hallmark style!

O terceiro filme de Derek Ciafrance parece um anúncio de perfume feminino, cheio de grandes planos enternecedores e mãos que acariciam as ervas queimadas, soft focus , a fotografia com uma tez de mel e dois dos actores mais atraentes e talentosos da nossa geração: Michael Fassbender e Alicia Vikander. Sentiram a lamechice? Pois, é mesmo isso que o filme é: lamechas. Tem a sua razão, porque a fábula moral que narra é dolorosa e sofrida. Mas com as melhores paisagens que a Nova Zelândia e a Austrália podem dar e a química das personagens, não era preciso que o realizador nos esfregasse a culpa, a redenção e o amor de mãe na cara, em vez de deixar fluir o talento dos actores de forma natural.

Tom e Isabel são um belo casal que vive isolado em Janus Rock, uma ilha remota da costa australiana. Tom é o faroleiro e Isabel a esposa dedicada que sofre dois abortos e o início de uma depressão catatónica. Mas um dia, num sinal divino, uma menina bebé dá à costa, com o pai morto a seu lado. O casal acolhe a criança e enterra o pai, ignorando a mãe biológica que sofre do outro lado do oceano. Até ao dia em que Tom sucumbe à sua culpa.

Com uma banda sonora dedicada, sempre disposta a ajudar e a mostrar-nos quando devemos sentir alguma coisa, uma fotografia esplendorosa a mostrar-nos o pôr-do-sol mais romântico, A Luz Entre Oceanos vive do talento de Fassbender, Vikander e também Rachel Weisz, envoltos tragicamente num conto que tenta ser filosófico mas é manipulativo.
Estreia: 29/12/16


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