“A Vigilante”: Olivia Wilde brilha em “thriller” duro sobre a violência doméstica

“Estou a olhar pela janela e os camiões não param de passar”: esta é a mensagem de alerta, o grito pela salvação, o código que chama por Sadie.

“A Vigilante” explora o silêncio e a bravura das mulheres que sofrem às mãos de perpetradores, que longe de se salvarem por si só, clamam pela personagem de Olivia Wilde, uma vigilante pronta a libertá-las do ciclo vicioso da violência doméstica.

Justiceira, Sadie luta pelos indefesos enquanto enfrenta o seu próprio passado de subjugação. Para ela, é raiva, terapia e ativismo.

Sarah Daggar-Nickson estreia-se na realização com um “thriller” intenso, naturalista, onde nos apresenta episodicamente histórias de sofrimento, narradas num grupo de aconselhamento, e as missões de Sadie enquanto enfrenta os vilões familiares e escrutina a floresta que esconde o seu próprio agressor.

Como um clamor, Daggar-Nickson usa o seu filme como arma e coloca o catalisador da revolta e libertação na voz de Judy Marte, identificada nos créditos como “Straight Up Shelter Woman”, que de olhos fixos na câmara (em ponto de vista subjectivo de Sadie), dirige-se a Olivia Wilde como exemplo de uma vítima de abusos e grita por ação e salvação.

A partir daí, Sadie é forte e desesperada, numa interpretação de tal forma crua de Olivia Wilde que chegamos a recear pela sua própria resistência física e equilíbrio emocional.

E Daggar-Nickson vai atrás, sem refúgios e floreados, dotando “A Vigilante” de dureza e secura quase documental, assaltando-nos com cenas difíceis de assistir, numa crueldade infelizmente demasiado realista na nossa sociedade.

“A Vigilante” é um filme relevante, catártico e honesto.

“A Vigilante”: nos cinemas a 20 de junho.

Crítica: Daniel Antero


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