“Amor à Segunda Vista”: comédia sobre destino e amor infinito fica pelo romance lamechas

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Um universo paralelo onde o sacrifício apaixonado irá deleitar quem for ao cinema no Dia dos Namorados.

SINOPSE: Quando Raphael (François Civil) conheceu Olivia (Joséphine Japy) no secundário, foi amor à primeira vista. Após 10 anos de casamento feliz e uma carreira próspera como autor de best-sellers, Raphael tem tudo – ou pelo menos assim o pensa. Após uma enorme discussão entre o casal, Raphael acorda numa vida paralela onde é solteiro, jogador de pingue-pongue e professor do ensino secundário, com uma vida pouco interessante e demasiado colada à do seu melhor amigo de infância.

O tempo passa e as nossas relações são dadas como garantidas. Não nos questionamos sobre quem nos rodeia e deixamos de olhar para aqueles que nos querem bem, sem lhes dar a valorização que merecem.

Explorando a culpa, a insatisfação amorosa e a memória, o realizador Hugo Gélin coloca tudo isto numa teoria quântica de disrupção espácio-temporal e atira Raphaël Ramisse, um escritor de sucesso (François Civil numa personagem cujo nome se refere a Harold Ramis, realizador de “O Feitiço do Tempo”), para um universo paralelo onde descobre que se tornou um fracasso. Já a sua esposa Olivia (Joséphine Japy) é uma pianista famosa e está noiva de outro homem.

Influenciado por “O Despertar da Mente” (Michel Gondry), “Dá Tempo ao Tempo” (Richard Curtis) e “Do Céu Caiu Uma Estrela” (Frank Capra), “Amor à Segunda Vista” coloca a questão: o que teria sido de nós se não encontrássemos o homem ou a mulher da nossa vida?

Usando todos os truques, revisitando todos os lugares, valorizando a memória que tem Olivia e procurando fazer com que esta se apaixone por ele de novo, Ramisse terá de encontrar o ponto de viragem que o lançou para este mundo. Quando o faz, confrontado com o paralelismo metafísico existencial entre a sua vida e os livros que escreve, terá de optar pela abnegação ou o egoísmo da sua vida lateral.

“Amor à Segunda Vista” é pouco original, e mesmo levantando questões, responde-as de forma agridoce, com um final anti climático. E até lá chegarmos, assistimos aos maquinismos das comédias românticas, onde o carisma dos atores suporta a narrativa em ombros e Felix (Benjamin Lavernhe), o “sidekick” de serviço, que de repente se vê a braços com um Ramisse desorientado, vai mostrando uma realidade em que se pode pura e simplesmente ser feliz.

Renegando as relações modernas que tanto consideram a igualdade de género, para Hugo Gélin não existe um universo onde os protagonistas possam ser amplamente felizes, Ramisse como escritor de sucesso e Olivia como pianista de renome. Com um desfecho antiquado, infelizmente a premissa do realizador fica muito aquém das suas influências.

O que resta é o romance lamechas, perfeito para o Dia dos Namorados. E sim, é para isso que serve este “Amor à Segunda Vista”.

“Amor à Segunda Vista”: nos cinemas a 13 de fevereiro.

Crítica: Daniel Antero


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