TESTE BATTLEFIELD 1 (PC)

Após largos meses de espera pelo novo Battlefield 1, em que dissecamos cada segundo do fabuloso trailer de lançamento, fomos deixados num estado de hype total que nos fez pré-encomendar o jogo. Mas será que deveríamos ter sido cautelosos e esperado pacientemente pelos primeiros “reviews”, sabendo da maré de problemas técnicos que assolaram o lançamento de Battlefield 4 em 2013?

Para quem não conhece a saga Battlefield, esta deu o “tiro de partida” em 2002 com o lançamento de Battlefield 1942 para PC, tendo imediatamente revolucionado o panorama dos “shooters” online, na altura ainda muito presos a Quake. Pela primeira vez existia um jogo que, em vez de oferecer um gameplay limitado a espaços claustrofóbicos onde impera a acção frenética e solitária, decorria durante a 2a Guerra Mundial e nos dava a liberdade de escolher um tanque, avião ou barco como meio de transporte, tudo em mapas de um tamanho nunca antes vistos e onde podiam jogar até 64 jogadores. 14 anos e 10 títulos depois, a saga Battlefield evoluiu bastante. Mudou-se de “armas e bagagens” para cenários mais contemporâneos e perdeu alguma dessa liberdade característica, mas em contrapartida ganhou um modo história e uma solidez técnica bem-vinda.

Missões podem ser completadas pela ordem desejada

É sobre estas bases sólidas que Battlefield 1 promete assentar, continuando a oferecer o gameplay e sensações que os fãs tanto adoram, ao mesmo tempo melhorando as características mais problemáticas, como o modo história. A este nível a DICE esforçou-se bastante, não oferecendo uma, mas sim 5 histórias em formato episódico, cada uma com o seu herói e geografia distinta, que vão desde as florestas da Bélgica até aos desertos do médio-oriente.

Tudo isto servido por um motor gráfico “top”, que nos mete no meio de mapas enormes e cheios de acção e explosões, sem no entanto sacrificar a fluidez de jogo. E quando estamos a descansar das missões, somos brindados com umas das melhores cutscenes produzidas para um jogo. O trabalho de cinematografia aqui presente sobe a fasquia para toda a indústria. De topo também a banda-sonora cinematográfica, que espelha os ambientes em que a acção decorre e moderniza alguns trechos de Battlefield 1942.

Um verdadeiro tanque humano nos Alpes transalpinos

Já a nível de gameplay, o título introduz umas ideias novas, como por exemplo na missão de abertura que larga o jogador no meio da confusão de uma batalha com explosões e gritos por toda a parte. E quando morremos, em vez de recomeçar no checkpoint anterior, continuamos na pele do companheiro ao lado, capturando assim bem o espírito devastador da 1a Guerra Mundial, onde não era bem uma questão de sobreviver, mas sim de adiar o “fim” ao máximo.

Mas lá para o meio, o jogo perde um pouco o fôlego criativo e regressa a terrenos mais tradicionais, com os heróis a serem uns autênticos “Rambos” e a conseguirem dar cabo do exército inimigo sozinhos, muito graças a estupidez deles. O jogo esforça-se por tentar fazer viver os horrores da guerra e não cair numa visão “preto-branco” do conflito, com heróis com lacunas e que se mostram humanos. Mas esse desejo dos criadores fica a meio caminho, quando só participamos no conflito do lado aliado, nunca nos dando a oportunidade de ver a acção do lado alemão. O jogo esforça-se por contar uma história à “Hollywood”, mas faz-lo mais com a sensibilidade de um Michael Bay do que um Spielberg.

Em passeio de tanque pela França

Achamos a campanha agradável, muito devido à variedade nas missões, ao carisma dos heróis, uma recta final bem conseguida e o tempo razoável que cada episódio demora a acabar. Mas o grande foco de um Battlefield sempre foi o online, e aqui há algumas novidades, com a introdução de novos modos de jogo. Além dos tradicionais “Conquest”, “Domination”, “Rush” e “Team Deathmatch”, foram adicionados mais dois modos.

O primeiro intitula-se “Operations”, onde não jogamos um mapa só, mas sim uma “campanha”, vários mapas cuja ordem depende do desfecho das partidas. Se os austríacos vencerem os italianos, o mapa seguinte põe os italianos a defender um objectivo; numa situação contrária, o mapa é outro e são os italianos a estar na ofensiva. Mas antes de uma das equipas ser encostada às cordas, o jogo introduz outra novidade sob a forma de veículos especiais como o “Zeppelin” ou um “Super Tanque”, que nos momentos finais da partida vem em auxílio da equipa a perder para tentar dar uma “mãozinha”. É uma modo bem pensado e interessante, que pretende introduzir no jogo um sentido de escala ainda maior, ao tentar emular o decorrer de uma verdadeira guerra, cujo desenlace não depende de uma batalha isolada, mas sim do conjunto de várias batalhas.

Este não escapa

Já “War Pigeons” é um twist original ao clássico “Capture the Flag”, onde as equipas andam à procura de um pombo e, uma vez descoberto, o têm de manter em sua posse o tempo suficiente para que o portador possa escrever uma mensagem destinada à sua artilharia e assim bombardear a posição inimiga.

Quanto ao modo “Conquest”, agora o objectivo já não é reduzir a zero os pontos do inimigo (por via de mortes ou da conquista de posições inimigas), mas sim o de chegar aos 1000 pontos. Esta alteração foi introduzida para tentar fazer com que se jogue mais em equipa e se tente cumprir os objectivos do mapa, que são a conquista de território e não tanto a morte do adversário.

Também as classes receberam uns “afinamentos”. Continuam a existir as de “assalto”, “suporte” e “scout”, mas a classe de “engenheiro” é agora substituída pela de “médico”, de maneira a incentivar o pessoal a dar mais apoio aos colegas durante a batalha. E se as quatro classes ainda não forem suficientes, ainda podemos encontrar escondidas nos mapas duas “super-classes”, como a do “pirómano” com um lança-chamas ou uma armadura com uma super-metralhadora, o que nos torna no equivalente de um tanque humano.

A expansão “Charlot” brevemente disponível

Para concluir, não há muito que não tenha gostado nas já dezenas de horas que passamos no modo multiplayer. Este é sem dúvida o melhor Battlefield até à data. Se quisermos ser picuinhas, não escondemos a desilusão de não podermos voltar a comandar grandes navios de guerra como no saudoso Battlefield 1942 (e como o trailer parecia indicar), ou o facto de não estarem disponíveis os exércitos russos e franceses, o que é incompreensível de um ponto de vista histórico.

Estes já nos foram prometidos via DLC (pago!), mas no final do dia, pouco interessa a nação que representamos, o que interessa é que nos estamos a divertir imenso a jogar Battlefield 1, e recomendamos este jogo sem a mínima hesitação.

Relembra os 2 Let’s Play que fizemos há pouco tempo

| Reviews, Slider, Videojogos | 0 Comments
About The Author
-

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>