Análise Black Panther

Black Panther

Black Panther apresenta-se como um auto-contido, onde quase tudo se desenvolve à parte dos acontecimentos do Marvel Cinematic Universe.

Narra a história de T´Challa (Chadwick Boseman), que após a morte do seu pai, o rei de Wakanda, ascende ao trono. Mas rapidamente, terá de lidar com o traficante de armas e de vibranium Ulysses Klaue (Andy Serkis) e Erik Killmonger (Michael B. Jordan), um mercenário que não quer que Wakanda perca a sua essência e lutará ferozmente para defender os seus ideais.

Marvel Studios’ BLACK PANTHER..T’Challa/Black Panther (Chadwick Boseman)..Foto: Matt Kennedy..©Marvel Studios 2018

O novo filme do universo MCU, que celebra agora 10 anos, começa num campo onde miúdos jogam basquetebol, recuperando a lembrança colectiva de um passado sofrido. De modo singelo, assume para si, enquanto obra cinematográfica blockbuster, as implicações sociológicas e a mensagem que se propõe a defender.

Com memórias de um tempo de escravatura, colonialismo, apartheid e violência de gangs, o realizador Ryan Clogger e o co-argumentista Joe Robert Cole, compõem um duelo à imagem de Martin Luther King vs Malcom X, onde a tensão da resistência não violenta, confronta a militante, e a consciência social procura influenciar o individualismo e as acções intempestivas, que irão definir o destino de uma nação.

Erik Killmonger (Michael B. Jordan) e T’Challa/Black Panther (Chadwick Boseman)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018

 

Mas, em vez de se recolher e reprimir, exulta com energia e humor, uma excelência da cultura tribal e da história africana, com o ensemble de actores negros mais relevantes da actualidade, rodeado por uma equipa técnica que cria um estilo afro-futurista, com cores e texturas vibrantes.

Marvel Studios’ BLACK PANTHER. Okoye (Danai Gurira) e Ayo (Florence Kasumba) – Dora Milaje..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018

Desde o guarda-roupa de Ruth Carter, que intimida com os uniformes do clã guerreiro feminino Dora Milaje, ou a sumptuosidade dos vestidos da alteza Angela Basset;

Marvel Studios’ BLACK PANTHER. Ramonda (Angela Bassett)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018

Passando pelo design de produção de Hannah Beachler, que nos cabelos e tatuagens, detalha as raízes ancestrais que construíram uma cidade tecnologicamente imponente;

Marvel Studios’ BLACK PANTHER..Shuri (Letitia Wright)..Ph: Film Frame..©Marvel Studios 2018

Vive também nos beats da mensagem activista de Kendrick Lamar, que reúne rappers emergentes a vozes sul africanas, para cantar a corrupção judicial, a brutalidade e o racismo.

Marvel Studios’ BLACK PANTHER..Nakia (Lupita Nyong’o) e T’Challa/Black Panther (Chadwick Boseman)..Photo: Matt Kennedy..©Marvel Studios 2018

Esta celebração que constrói a nação Wakanda, as suas regiões e diferentes tribos, eleva-a a um patamar que Asgard, dos filmes Thor, não atingiu. Mais palpável e distinta, é o segredo mais bem escondido do Marvel Cinematic Universe. Mas esta textura e riqueza, talvez tenha comprometido outros momentos, pois apesar de assentar na fórmula tradicional dos filmes de acção, Black Panther não acrescenta nada de novo nesse departamento, sentindo-se até que correu contra o tempo em algumas cenas de combate CGI.

 

Com um cast icónico, onde Angela Basset e Forest Whitaker apadrinham nomes como Lupita Nyong´o, Danai Gurira e Daniel Kaluuya, Black Panther é uma nova voz no universo Marvel, com um olhar político, celebração cultural e repleto de aventura.

ESTREIA: 15/02/18


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