Código de Família

Código de Família é a longa metragem de estreia do realizador Adam Smith, que conta logo com três nomes de peso: Michael Fassbender, Brendan Gleeson e os seus companheiros de estrada Chemical Brothers, (Smith cria os vídeos para os espectáculos e realizou o documentário The Chemical Brothers: Don´t Think…os Chemical criaram a banda sonora para este filme).

Com argumento de Alastair Siddons, “Trespass Against Us” – nome original, é um drama criminal sobre três gerações de uma família que vive à margem da lei: sem educação, rude, ofensiva, que vive para atormentar a polícia e ganhar alguns trocos, com assaltos sem sentido.

Brendan Glesson é Colby, um ignorante obtuso da vida real, um filósofo que não acredita na educação tradicional mas é mestre no conhecimento das ruas, que manipula a sua família já bastante conhecida pelas autoridades: os Cuttler.

Michael Fassbender é o seu filho Chad, que cresceu proibido de ir à escola, desde cedo encaminhado para uma vida de crime…onde realmente é mesmo muito bom: para além de exímio condutor, que se esgueira com facilidade pelos pátios e jardins da vila, estar em excelente forma física e conseguir ganhar avanço confortável aos desgraçados polícias, é também rápido a tomar decisões, como prova um dos momentos mais tensos e engraçados do filme, onde se esconde debaixo de uma vaca, para despistar os sensores térmicos de um helicóptero que o persegue.

Mas Chad tem dois filhos…e não quer manter mais este estilo de vida para os poder proteger e dar-lhes o que não teve. Mas o pai Cuttler, arcaico e inútil, quer Chad perto de si…e tem mais um trabalho encomendado.

 

Com cenas de acção enérgicas, elevadas com algum humor absurdo, Código de Família quebra o ritmo com simpatia e camaradagem, dando-nos espaço para nos sentirmos acolhidos por uma família pela qual, em condições normais, não sentiríamos sequer compaixão. A noite à volta da fogueira; a família toda em êxtase dentro de um carro conduzido por um garoto de sete anos; um concurso de pontaria com fisgas…leva-nos à descontracção…mas nada disto os leva a uma vida com sentido… e a despreocupação tolda-os para o que aí vem: a polícia aperta o cerco e o castigo vem a caminho.

Adam Smith procura criar um caminho ominoso para o inevitável, mantendo-nos alerta que Chad sente-se obrigado e que enquanto tenta salvar os seus filhos da decadência, Colby mantém a sua aura de ignorância a pairar sobre os netos, para manter o código vivo. E tentando agitar o filme com as cenas de acção, o realizador coloca-nos no papel de Chad…que quer ver-se livre da vida de crime e ter uma vida pacata, mas a adrenalina é demasiada…E nesse ponto, Michael Fassbender é magnético, numa figura inconsequente nas acções, mas terna pelos objectivos, que se deixa aprisionar pela prepotência e malícia silenciosa de Brendan Gleeson.

Filme que se desvia entre o conflito familiar e a vontade quase adolescente de “partir tudo”, é um bom cartão de visita de Adam Smith, que se apoia no carisma dos dois excelentes actores irlandeses, mas que ainda recorre demasiado à estrutura televisiva (realizou episódios de Skins e Dr.Who), perdendo o pulso do filme, deixando perdidas algumas intenções e morais.

 

ESTREIA: 16/03/17

 

 

 

 

 

 


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