Collide – A Alta Velocidade

Eran Creevy, realizador de Collide – A Alta Velocidade gaba-se de ter duas das estrelas mais bonitas do cinema: Nicholas Hoult e Felicity Jones. De ter leads britânicos de alto gabarito: Sir Anthony Hopkins e Sir Ben Kingsley. De ter o grupo Volkswagen por  sua conta. E de misturar isto tudo com o ritmo e energia dos clubes de Berlim. Só não soube o que fazer com isto tudo no colo.

Collide é um filme com intenções puramente comerciais que começa no romance de dois americanos em Colónia, (não era Berlim?), passa pelo assalto a um barão da droga e a fuga pelas autoestradas alemãs, que servem de passadeiras de desfile para Jaguars, Aston Martins, Maseratis ou AMG Mercedes e termina no twist, wink wink, explanado a meio do filme com uma metáfora futebolística (“primeiro defendemos, depois temos de ter um bom contra-ataque”), que vai pôr os nossos dois pombinhos com dinheiro nas mãos, para pagar o transplante de rim da namorada… o motivo que despoletou isto tudo.

Tudo por amor…caos, incêndios, perseguições no meio de vilarejos a lembrar o Ronin do John Frankenheimer…Tudo por amor… como indica a pulseira que Casey Stein enverga ao pulso, com o nome da sua amada Juliette Marne…espera lá, a nossa personagem vai gamar milhões de euros e leva a identificação da namorada à vista de toda a gente? Mas…e se for apanhado? Bem, se for apanhado, não se preocupem… porque os maus da fita saídos do cartaz do perfume Zadig & Voltaire, todos hipsters de olhos azuis, vão deixá-lo para um combate mano a mano com o mais fraquinho deles todos.

E a partir daqui começa o frenesim de perseguições, que Eran Creevy afirma filmar com maior autenticidade e realismo. Sim, verdade. Porque fecha o percurso da acção, coloca várias câmaras espalhadas e depois entra no modo de edição a la Rob Cohen do XXX – Missão Radical, onde vemos a mesma acção repetida por vários ângulos. Mas fecha os enquadramentos e a espectacularidade perde-se para dar lugar a uma salganhada mal editada de grandes planos.

O que vale a pena mesmo neste filme são as duas instituições de representação: Hopkins como Hagen Kahl, o barão da droga, filantropo, milionário de requinte sociopata, que sibila cada palavra como uma cobra que cospe o veneno no fim de cada frase. E Kingsley, no papel de Geran, o kingpin turco, maluco com falta de memória que vive numa caravana cheia de prostitutas, com muito swag espampanante. Agora imaginem quando estes dois actores se sentam à mesa, numa cena que relembra Heat, (mas não tem nada a ver), para se aventurarem num duelo de trejeitos corrosivos, à boa moda de Al Pacino e De Niro. Mas infelizmente, Creevy não é Michael Mann, portanto minimizem essa ideia fantástica de ter estes dois grandes senhores frente a frente…

Numa época em que Fast & Furious marca a toada dos filmes a alta velocidade e o modelo está estabelecido…não se justifica este esforço de casting e de produção que ficou ao abandono.

 

 

 

ESTREIA: 16/03/17


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