“Domino – A Hora da Vingança”: o regresso de Brian De Palma em piloto automático

Prestigiado realizador está de volta, mas com o entusiasmo de um artesão aborrecido.

Escrito por Petter Skavlan, “Domino – A Hora da Vingança” é um “thriller” com duas estrelas da série “A Guerra dos Tronos”, Nikolaj Coster Waldau e Carice Van Houten, Guy Pearce e a orientação do mestre Brian De Palma.

À partida, este seria um excelente “elevator pitch”. Um “Eurocop” na Dinamarca, pelas mãos do maior fã de Hitchcock? Escrito pelo argumentista de “Kon-Tiki” e “O 12º Homem”? Onde é que assinamos?

Criando um efeito dominó, Petter Skavlan escreveu um argumento onde as ações do terrorismo se intrincam e se propagam pela Europa fora, conectando um assassinato em Copenhaga a um ataque terrorista numa pequena cidade espanhola.

Christian (Nikolaj Coster-Waldau) e Alex (Carice van Houten) procuram justiça pelo assassinato do seu parceiro às mãos de um membro do Estado Islâmico, Tarzi Ezra. Mas são envolvidos num jogo de perseguição com um agente duplo da CIA (Guy Pearce), que usa Ezra para aprisionar outros membros do EI.

Infelizmente, as expectativas são goradas e “Domino” é como uma cópia barata de John Le Carré, repleta do formalismo de um Brian De Palma agastado no seu próprio registo, impaciente e publicamente desagradado com a produção caótica que encontrou. Ou então, agressivo e inconformado, disposto a marcar o seu cunho em qualquer obra. Fica a dúvida.

As regras do seu estilo estão presentes: a câmara como uma caneta que escreve pelas linhas vazias, a habitual homenagem a Hitchcock, o “split-screen”, os pontos de vista subjetivos, o horror… mas nem mesmo o “voyeurismo” que explora a obsessão dos terroristas em terem as suas ações imediatamente visíveis na internet ou na televisão salva esta obra.

A banda sonora de Pino Donaggio é intrusiva, dissonante e deslocada da película. Jogando contra a montagem abrupta, que claramente teve o dedo da produtora, os temas de Donaggio vão-se mutando com trompas ou temas arábicos, evoluindo até um tenso e pujante bolero, fazendo-nos imaginar o que este filme poderia ter sido.

Tudo se sente fraco, sem tom nem emoção, como se o artesão fosse incumbido de fazer uma peça contrariado, regurgitando aquilo que o fez famoso.

“Domino – A Hora da Vingança”: nos cinemas a 25 de julho.

Crítica: Daniel Antero

Category: Cinema & TV, Reviews

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