TESTE DRAGON QUEST VIII – JOURNEY OF THE CURSED KING  (3DS) 

Foi re-lançado um clássico PS2 para a tua 3DS, cortesia da Square-Enix, os mestres do “role-play” nipónico. Dragon Quest VIII foi lançado em 2006, sendo na época acolhido de braços abertos pelos jogadores do velho continente que, após uma longa espera, viram a série fundadora do RPG japonês chegar pela 1ª vez à Europa.

Na altura, deixou todos maravilhados com a vastidão do seu mundo, servido por gráficos “cell-shaded” majestosos, onde o jogador era livre de explorar os locais que avistava no horizonte. Aliado a isto tudo, oferecia um gameplay cheio de profundidade e uma história que, pela primeira vez, os jogadores não sentiam estar limitada pela falta de poder da consola.

Mas toda esta ambição “enfiada” em tão modesto hardware tinha o seu preço. Os “loading times” eram puxadotes, apresentava uma “frame rate” no limite e as mecânicas de gameplay eram herdadas do passado. Graças a este remaster, grande parte destes problemas ficaram no passado.

Embora não tenhamos aqui direito ao “remake” que o título merece, este mais modesto “remaster” deixa as principais queixas que tivemos no passado, embora também perca pelo caminho alguns trunfos.Tal como há 11 anos, continuamos a acompanhar as deambulações do rei Trode e da princesa Medea, que levaram com um feitiço do uber-vilão Dhoulmagus, que transformou o rei num “troll” e sua filha em égua.

Como herói de serviço, estamos condenados a acompanhar estes dois “maltrapilhos” pelos quatro cantos do mapa à procura de vingança… ou na falta desta, de pelo menos uma “plástica” para os dois.

Mas não estamos só. Somos também acompanhados por Yangus, um “tanquezito” de pessoa, não muito esperto, mas com o talento todo na ponta da espada.Pelo caminho, ainda se juntam ao grupo: Jessica, uma maria-rapaz que deseja vingar a morte do irmão Alistair, às mãos de Dhoulmagus, e que se revela uma especialista em feitiços; e finalmente Angelo, um monge-guerreiro mais dado aos prazeres do jogo e vinho, mas que no campo de batalha é fundamental a curar os camaradas.

Para o bem da nossa santidade mental, e ao contrário do que é a tradição em muitos RPG´s, aqui as batalhas aleatórias são mantidas ao mínimo, visto ser possível “dribblar” a maioria dos inimigos e evitar constantes batalhas indesejadas. Mas não é de aconselhar evitar sempre a luta, já que como bom RPG que é, andar à “paulada” é fundamental para subir as “capacidades” das personagens, e assim poder continuar a explorar o mapa e fazer avançar a história.

Mas quando chega a altura de partir para a “biolência”, o “negócio” desenrola-se de forma civilizada. Como é tradição nos “role-play” japoneses, os dois lados alinham-se frente-a-frente e cada um espera educadamente a sua vez para poder “distribuir fruta”. No fim da qual, se sairmos vitorioso, ganhamos ítens valiosos e pontos de experiência, que vamos acumulando até subir de nivel e receber “skill points”.

Com eles as capacidades das personagens melhoram, sendo aqui importante definir desde o início os papéis a desempenhar por cada um no grupo, e investir nas habilidades que o possam beneficiar a longo prazo. É suicídio ter todas as personagens com habilidades ofensivas. É, por exemplo, importante distribuir papéis e desenvolver as capacidades curativas de uma Jessica, se quisermos sobreviver contra os inimigos mais poderosos.

De um ponto de vista técnico, esta versão é menos impressionante hoje do que quando saiu para a PS2. Ao contrário do que seria de esperar, não faz uso do efeito “estereoscópico” da 3DS e perde o look “cell-shaded” do original, muito em voga no tempo da PS2, e que recortava a silhueta das personagens com uma linha escura espessa. Mas mesmo sem ser uma beleza, o jogo continua a apresentar um mundo vasto, fluído e no interior das cidades e aldeias, edifícios até bem modelados e com “charmosos”.

Menos bem está a parte musical que, por falta de espaço no cartucho, vê a maravilhosa banda-sonora da versão PS2 ser substituída por faixas midi, um sucedâneo que até nem soa mal, mas também não encanta. Deste “emagrecimento” salvaram-se os diálogos das personagens principais, que continuam a ser dobrados por actores, mas que tem um sotaque “cockney” british que nos incomodaram um pouco.

Mas onde a coisa começa a melhorar é nas novidades. A meio da aventura travamos conhecimento com um tal Cameron Obscura, um recém reformado fotógrafo que nos desafia a tirar “selfies” em situações específicas. Somos recompensados por fotografar um monstro específico, locais de difícil acesso ou edifícios não cartografados, tornando uma simples distracção num aspecto divertido da aventura, que até influencia a maneira de jogar.

Feita as contas, não há como não aconselhar este jogo a quem gosta de RPGs, mesmo tendo perdido algum do brilho que teve quando saiu na “PS2”. Para fãs e curiosos, um “must have”!

 


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