Eis o Admirável Mundo em Rede

Robots, hackers, o lado comunitário e a invasão de privacidade, o vício e o isolamento, a crença de Elon Musk e os seus pesadelos, o novo documentário de Werner Herzog é a leitura que a Skynet está a caminho e estamos a criar o Terminator sem sabermos.

Com o título original : Lo and Behold, Reveries of the Connected World, e a tradução uma piscadela de olho ao livro de Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), este filme é um ensaio dividido em 10 capítulos que exploram os altos e baixos da internet, desde o cyber-bullying à exploração espacial. Conduzidos pela sensibilidade, paixão e curiosidade, exploramos a origem da revolução digital e o futuro dessa revolução, sempre com a toada irónica muito própria do realizador alemão, que nos mantém atentos para o limbo da loucura pronta para subjugar a nossa criatividade.

Com momentos de sarcasmo poético, onde Herzog nos mostra uma grupo de monges tibetanos a “envagelizar” via tweets; de profunda dor, como a narração de um pai e a morte da sua filha exposta nas redes sociais; ou de grande ilusão, como a possibilidade da telepatia e da visualização de pensamentos…o documentário dá-nos prognósticos de um futuro de dúbia felicidade colocando a questão em formato Philip K. Dick: “does the internet dream of itself?”, deixando-nos o alerta de que quando mais precisarmos, poderá não existir um John Connor para a enfrentar.

ESTREIA: 24/11/16

 


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