Elementos Secretos

Elementos Secretos é a fórmula do filme que nos deixa bem dispostos, dá-nos vontade de enfrentar tudo e todos e nos deixa orgulhosos das personagens que acabamos de acompanhar na sua contenda. Perfeito ao atingir esse objectivo, é um filme que em momentos se assemelha a uma sitcom, ou “série almofada”, daquelas que servem para desfrutar e não pensar.

Narra a história de três mulheres negras que trabalharam na NASA, em plena corrida espacial contra os soviéticos. Numa era em que o machismo e o racismo prevaleciam, nem o edifício espacial de Virgínia escapava à lei Jim Crow, onde alas cheias de engenheiros brancos, café e casas de banho para brancos ,afastavam por vezes a solução que ali tão perto estava… Pois havia espaço para os “computadores” de saias: equipas femininas repletas de figuras sobredotadas, de onde se destacaram Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae), peças pivotais no programa Mercury de 1962.

O guião adaptado do livro homónimo de Margot Lee Shetterly foca-se em Katherine e na sua demanda para ser aceite no meio dos analistas brancos da Space Task Group,  enfrentando pelo caminho um Jim “Big Bang Sheldon” Parsons, muito incomodado por ela estar no seu lugar (mais do que é normal). Felizmente, gravitam todos à volta de um seguro e íntegro Kevin Costner, que no papel de Al Harrison, o director desta força competitiva, descobre no devido momento, os talentos de Katherine e impõe justiça nos quadros de giz, onde os cálculos da órbita à volta da terra, sofrem revés a cada minuto que passa.


Sem espaço para a vida pessoal destas três mulheres, é o seu esforço pela carreira e pela paixão do conhecimento que eleva este filme ao adjectivo de inspirador: Katherine descobre os números invisiveis através da censura dos seus companheiros, combatendo os preconceitos, marcando a sua própria caminhada espacial; Dorothy vê no computador gigante da IBM, o futuro, e às escondidas forma-se e forma toda a sua equipa para operar a grande máquina. Já Mary enfrenta a sociedade na figura do juiz, apelando à aprovação para frequentar as escolas para brancos, de forma a titular-se de engenheira. Ela que já punha no saco uns quantos deles…

Filme feito com coração, não se excede na técnica…porque não precisa…dando espaço à justiça poética que três mulheres escreveram com as suas próprias mãos.

ESTREIA: 02/02/17

 

 

 

 


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