Era uma vez em Los Angeles (Once Upon a Time in Venice)

Once Upon a Time in Venice é um mau episódio de uma boa ideia para uma série televisiva.

Agiotas sebosos, agentes imobiliários desesperados (Adam Goldberg), um wannabe detective que é também o nosso narrador (Thomas Middleditch), um drug dealer que até tem bom coração (Jason Momoa), um brevemente divorciado a ver a sua vida a escorregar-lhe pelos dedos (John Goodman) … e Bruce Willis, como detective skater que já viu umas quantas vidas, vagueando por aí…e por vezes lá tem um trabalhito para arranjar uns cobres.

Lembram-se de Modelo e Detective? Imaginem esse ar gozão, cheio de atitude de novo nas mãos de Willis, com toda a liberdade para curtir… misturado com a vivência descomprometida de um Dude, do Big Lebowski…

O guião não é mais do que Willis como Steve Ford, a cruzar-se com várias personagens, sem desenvolver profundidade narrativa nenhuma, somente a ilustrar um dia em Venice, sem responsabilidade, cheio de preguiça e a ser calão.

Mas este dia que aqui acompanhamos, implica Willis a recuperar o seu cão das mãos de Momoa, em troca de quatro mil dólares. Para tal, tem de se endividar, ser amordaçado e vestido de travesti, andar de skate nú pela noite de L.A e ainda ser ombro amigo de John Goodman, que vê a esposa tirar-lhe tudo… e vai virando a agulha da sua vida e tentar tomar-lhe o controlo.

Aí, o filme ganha algum ritmo e estranheza, pois Goodman é um senhor da pantomina e dos timings cómicos e sente-se que veio para “Once Upon a Time in Venice” passar um bom bocado com amigos…e ver este talento à vontade, (que tanto nos tem dado, principalmente nos filmes dos irmãos Coen), lado a lado com Willis…prontos a agarrar em armas e agarrar Venice pelos colarinhos, dá vontade de transformar este filme dos irmãos Cullen, numa série de fim de tarde do AXN.

Porque as personagens de figurino episódico estão delineadas, desde vilões desadequados e pitorescos (destaque para o espalhafato de Momoa), a side-kicks desengonçados, como Goodman, pronto a roubar todas as cenas, e claro Bruce Willis, que teria de desvendar um mistério por episódio…e como diria o “Dude”, ter um ”ocasional acid flashback”.

Podia ser um buddy movie, podia ser um filme ensolarado sobre um private eye calão…é uma salganhada de personagens com potencial, mas sem guião para apontar o caminho.

ESTREIA: 28 Setembro

 


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