Frieza nórdica encobre a esperança em filme-catástrofe: “O Terramoto”

⭐️⭐️⭐️⭐️Filme de John Andreas Andersen continua a narrativa do aclamado “Bolgen – Alerta Tsunami” e explora a essência humana face ao desespero e inevitabilidade.

Três anos volvidos sobre a narrativa do aclamado filme “Bolgen – Alerta Tsunami”, o geólogo Kristian Eikjord (Kristoffer Jonner) vive assombrado por aqueles que ficaram por salvar. Culpa e depressão assolam-no e os eventos do tsunami de 2015 continuam a atormentá-lo. De tal modo que, perdido nos seus mapas e instrumentos de medição, mantém a certeza que uma nova catástrofe irá ocorrer. E o seu palpite prende-se com a cidade de Oslo e a iminência de um terramoto… e a questão já não é “se vai acontecer”, mas “quando”.

Audaz, o realizador John Andreas Andersen evolui a tensão com recurso a um ritmo lento, firme e desconfortável. Nervosos, sabemos que as epifanias de Kristian não são ataques de pânico ou loucura. A sua determinação é feroz, mas frases como “Há coisas mais importante que uma filha, um filho, a família” deixam todos de sobrancelha erguida sobre a sua estabilidade mental. Pior, as autoridades não o ouvem e no silêncio, Kristian terá de gritar para avisar os seus.

Quando tal acontece, a câmara de Andersen torna-se móvel, “handheld” e dois minutos de CGI incríveis rebatem no ecrã com estrondo: a cidade de Oslo colapsa e o caos instala-se.

Prédios desabam, brechas nos terrenos rebentam, vidros estilhaçam-se no chão, nuvens de fumo cobrem o sol. E é no alto dos arranha-céus que o nosso clímax portentoso ocorre: um terraço de um hotel está prestes a ruir e a filha de Kristian encontra-se no seu interior.

A partir daqui, a frescura deste filme vem ao de cima. Sequências de ação coreografadas para nos deixar desamparados, para nos fazer torcer para que Kristian e a sua esposa se libertem do interior de um elevador. E a coragem deles é proporcional à excelência dos efeitos especiais e solta-nos do sufoco para nos fazer acreditar que vão chegar a tempo de resgatar a filha.

Com representações intensas e um orçamento esmifrado com excelentes resultados visuais, “O Terramoto” é emoção humana com um final muito pouco “hollywoodesco”, de frieza nórdica e conclusão implacável. Num desastre natural de tamanha magnitude, nem todos sobreviverão…

“O Terramoto”: nos cinemas a 12 de setembro.

Crítica: Daniel Antero


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