Gatos (Kedi)

De deuses a animais sagrados, de soldados da peste a símbolos de boa sorte. Durante eras, os gatos foram vistos com olhares de adoração para além do seu pêlo fofo e ar sedutor.

E depois veio o Youtube e deu cabo disto tudo!

Horas e horas perdidas na internet, a verem compilações de gatos fofinhos ou a ouvirem os vossos companheiros do lado a emitir sons de fofochura, como se tivessem visto um gato pela primeira vez.

Pois bem, Gatos, o filme que nos chega pela Cinema Bold (e que, obviamente, foi adquirido pelo Youtube Red) é tudo isto e muito mais.

Realizado por Ceyda Torun, são  várias histórias elevadas por vistas aéreas da cidade e pontos de vista subjectivos dos gatos… para contarem a espiritualidade, partilha de energia e filosofia única, que existe  entre humanos  e estas bolas de pêlo.

Quem nos conta as suas aventuras, são os donos sem nome, ou os humanos que os gatos permitem que os sirvam de comida e de carinho.

São gatos coloridos, repletos de vida e de sapiência, figuras icónicas de uma crónica urbana que se narra pelos mercados e mesquitas. Ceyda segue-os pelos becos e foca-se em algumas personalidades: a caçadora que caça para as crias; a psicopata que afasta as gatas do seu cônjuge; o divertido que deambula pelo bairro, partilhando vários donos; o bom vivant que não entra no restaurante, mas bate à janela sempre que tem fome.

Durante séculos, as ruas desta terra do antigo Império Otomano, foram invadidas pela astúcia e agilidade destes animais. Várias espécies foram trazidas nos navios e acabaram por ficar, tornando-se a alma da cidade.

Defrontam gaivotas, roubam peixe da lota, lutam com caixas de papelão, caçam ratos, procuram comida para as suas crias…tudo situações mundanas na vida do felis catus, mas essenciais na repercussão da sua existência para com os humanos que os rodeiam – como o nome indica, fazem-nos felis(zes).

Gatos é  o passado e o presente destes companheiros felinos, onde qualquer um se vai perder de amores pelas ruas de Istambul, onde a adoração ainda perdura.

Não vale a pena fingirem, vão ficar derretidos e de coração mole, com este documentário terapêutico de Ceyda Torun.

 

ESTREIA: 25/01/18


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