“Greenland – O Último Refúgio”: depois dos “assaltos”, Gerard Butler enfrenta o apocalipse

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Filme catástrofe com chuva de meteoritos tem mais drama e aperto familiar do que se esperava.

SINOPSE: Uma família luta pela sobrevivência quando um cometa destruidor de planetas chega à Terra. John Garrity, a sua ex-mulher Allison, e o seu jovem filho, Nathan, fazem uma perigosa viagem até à sua derradeira esperança de salvação.


“Assalto à Casa Branca”, “Assalto a Londres”, “Assalto ao Poder”, “Hunter Killer”, “Geostorm – Ameaça Global” e agora “Greenland – O Último Refúgio”… é uma sorte termos Gerard Butler por perto, não é?

Quando ameaças internacionais ou naturais nos assaltam e a sobrevivência da humanidade está em risco, o ator escocês tem o nervo necessário para liderar equipas e massas.

Essa também é a opinião do Presidente dos EUA e neste novo filme, o nosso herói  chama-se John Garrity e é selecionado com a família (Morena Baccarin e Roger Dale Floyd) para um bunker de alta-segurança na Gronelândia enquanto uma chuva de meteoritos vai dizimando cidades inteiras.

Pronto para pipocas e alguma sonolência passageira, “Greenland – O Último Refúgio” é um “thriller” convencional que se concentra num desastre natural e avança em ritmo de contra-relógio para a salvação.

Enquanto filme catástrofe é previsível, com os habituais “twists” no guião e os clichés modelados à sua escala de orçamento. Que, infelizmente não é abastado, o que se nota no sofrível CGI sofrível, como se tivesse saído de um filme do canal Syfy.

Mas há uma surpresa neste filme de Ric Roman Waugh: a ação é ao retardante e os dois primeiros terços são dedicados mais ao drama e ao suspense do que ao iminente fogo de artifício. Em vez de se concentrar no habitual heroísmo de Gerard Butler/John Garrity, foca-se na impotência e na coragem de toda a família.

Quando os Garrity avançam para o avião que os levará ao desejado abrigo, uma série de tribulações acaba por fazer com se separem. E com a tormenta de cada um a ser vivida em paralelo, Waugh e o argumentista Chris Sparling usam a jornada até ao reencontro dos três para evocar algumas fragmentações de classes sociais e económicas, levantando questões de privilégio, imigração, saúde e decência.

Elevando o impacto emocional e o desespero familiar, o realizador assenta a gravidade do filme no fator humano, revelando um claro interesse em mostrar um lado amargo, violento e egoísta da sociedade, uma onde as pessoas ignoram o bem maior em nome da auto-preservação. Motins, assaltos imediatos a farmácias e supermercados fazem-nos lembrar, salvo as devidas distâncias, memórias bem recentes…

Claro que tudo isto é muito superficial: o terceiro ato está aí para rebentar a atmosfera com pedras incandescentes e lembrar-nos que Gerard Butler sabe escolher “blockbusters” de segunda classe à sua medida, eficazes e que servem para entreter.


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