“Guerra das Correntes”: Benedict Cumberbatch e Michael Shannon electrificam drama histórico

⭐️⭐️ Um filme sobre a competição entre o inventor Thomas Edison e o magnata George Westinghouse, que entre 1880 e 1893 procuraram electrificar a América, cada um dando primazia à sua corrente predilecta.

Thomas Edison (Benedict Cumberbatch) encontra-se no limiar de poder iluminar os vários estados, mas é demasiado obtuso para reconhecer que a sua corrente directa é menos eficiente que a proposta por George Westinghouse (Michael Shannon): a alternada, claramente mais barata e com capacidade de transmitir electricidade através de longas distâncias.

Neste circuito, um elemento extra irá tornar a cadência mais efectiva: Nikola Tesla (Nicholas Hoult), ignorado por Edison mas potenciado por Westinghouse, terá uma palavra a dizer.

Com um jogo muito intrincado de acção/reacção, onde  a manipulação da imprensa e dos grandes investidores tem mais destaque que as próprias invenções, acompanhamos a estratégia de cada rival para caluniar o seu opositor, sem se aperceberem que o seu código moral está a ser denegrido pela própria ambição: electrificar os EUA,  obter o contrato da Feira Mundial de Chicago de 1893… e usar a cadeira eléctrica como arma secreta.

Cumberbatch e Shannon interpretam esta luta com nobreza e sofrimento, ombreando-se nas tragédias e sonhos, mas distinguindo-se na seriedade, onde Cumberbatch como Edison é um arrogante narcisista, e Shannon, o austero e subtil Westinghouse, que só se torna mais exuberante quando é acusado publicamente que a sua corrente põe as vidas em perigo.

Ao seu redor, Nicholas Hoult explora as fraquezas socias e económicas do extravagante Tesla; Tom Holland é Samuel Insull, o lacaio de serviço de Edison; e Katherine Waterston, a mulher por trás do homem, que como Marguerite, a esposa de Westinghouse, marca todas as cenas com suporte e determinação.

Guerra das Correntes

Com este elenco, o realizador Alfonso Gomez-Rejon pouco necessitava de fazer para conseguir criar um filme-modelo para os Óscares. Mas um argumento denso e uma veia demasiado inventiva, deixam esta película á beira de um choque eléctrico.

Movimentos de câmara irrequietos quase nauseantes, edição nervosa, ângulos inesperados e cenas em “split-screen” que quebram o “momentum”, são vários exemplos explorados por quem quis recriar o tom mágico-realista de Terry Gilliam, mas também se perdeu no uso do “lens-flare” e no uso agressivo da banda sonora de Danny Bensi e Saunder Jurriaans.

A acrescentar à impossibilidade de triunfo deste projecto, “Guerra das Correntes” também sofreu com a pressão do produtor Harvey Weistein, que ordenou que fosse terminado à pressa, de forma a ser exibido em 2017, no Festival de Toronto.

Desde então, Gomez-Rejon procurou dar unidade e a sua assinatura, com cinco cenas adicionadas e dez minutos entretanto cortados. Infelizmente, pouco lhe valeu o uso de uma nova corrente criativa.

“Guerra das Correntes”: nos cinemas a 10 de outubro.

Crítica: Daniel Antero


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