“Horse Girl”: Alison Brie brilha ao entrar em colapso num psicodrama paranóico

⭐️⭐️⭐️

Filme da Netflix é um sonho lúcido que se desequilibra algures entre a comédia cringe dos irmãos Duplass e um drama alucinante.

Estreado no Festival de Sundance e com Alison Brie no principal papel, “Horse Girl” anda à volta da deterioração mental de Sarah, uma rapariga introvertida, socialmente inapta, cujos delírios encaminham-na para um colapso.

O filme começa por compor o retrato do quotidiano, apresentando os seus hobbies e comportamentos, ajudando-nos a entender como estes servem de bastião contra a sua depressão: uma série televisiva vista e revista sem conta, a mesma rotina de sono, as aulas de zumba, os processos no trabalho…

Mas a solidão e a ansiedade enevoam-na constantemente e quando o sonambulismo se instala, estes detalhes mundanos são distorcidos e retirados da sua realidade. Sarah começa a ter lapsos de memória desconcertantes, que levam o seu nervosismo a aumentar, trazendo-lhe dúvidas paranóicas e medo de que tudo aquilo que vê possa não ser real.

O argumento, co-escrito pela própria Alison Brie, faz-nos então mergulhar nas visões de Sarah, na análise do seu estado psicológico e na descontinuidade temporal. Espiralando, afasta-se do concreto e da razão, arrastando-nos consigo para um pesadelo de instabilidade onde a ideia de clones, extra-terrestres e deuses tecnológicos abrem o portal do mistério paranormal.

Sentimos que acompanhamos o colapsar da sua mente, mas a perspectiva estreita, onde as ramificações ilusórias se estendem a outras pessoas, e inteligentemente, os efeitos práticos suportam os efeitos visuais com a sua componente orgânica e alcançável. Isto também nos obriga enquanto espectadores a questionar se estamos no reino do delírio ou do palpável: quer que acreditemos, como ela, se são mesmo extra-terrestres que a colocam nesta forma débil e solitária.

Com o melhor desempenho de Alison Brie até agora, no limite entre a loucura e o pedido de socorro, “Horse Girl” exagera na sua demência até ao terceiro acto, onde todas as questões e protagonistas se unem num longo sonho, pronto a dar a Sarah, a resposta que procura. Qual, cabe a nós decidir.

“Horse Girl”: disponível na Netflix desde 7 de fevereiro.

Crítica: Daniel Antero


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