“Jexi”: comédia tecnológica com Adam Devine está cheia de “bugs”

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Filme explora o perigo da dependência do telemóvel, motivando para mudar para a conexão pessoal, mas é tão gratuito e desesperado que falha como comédia.

“Jexi” é como uma versão comercial, satírica, linguaruda e brejeira de “Uma História de Amor” (Spike Jonze), onde Phil (Adam Devine), um jovem viciado no seu telemóvel, isolado de amizades e vida amorosa, cria uma relação com o seu novo “smartphone”. Este vem com uma assistente virtual possessiva e descarada, que, com acesso a todos os seus dados na “cloud”, anuncia que vai melhorar a sua vida.

Como uma “life coach” de tom monocórdico, que reúne em si a atitude de todos os “trolls” da internet, a actriz Rose Byrne dá a voz a Jexi, uma variante da Siri, que assim que tem acesso a todas as suas “passwords”, começa a controlar os cartões de crédito de Phil, refeições, hábitos e faz comentários embaraçosos em alta-voz no meio de reuniões profissionais. Para gradualmente, já depois de fazer com que tenha encontros com Cate (Alexandra Shipp), começar, de forma inexplicável, a apaixonar-se por ele. E quando isso acontece, os “bugs” do sistema operativo vêm ao de cima e o ciúme substitui a lógica.

Esta descrição quase faz parecer que “Jexi” é um “thriller” ou filme de horror. Mas, na verdade, é uma comédia falhada, com lugares comuns do universo “millennial”, como a linguagem que já nos soa datada ou o “background” social de São Francisco, repleto de “hipsters” ou “wannabes” de CEOs, viciados da era digital.

Continuando a aposta de estabelecer a sua figura-tipo de universitário entusiasta das fraternidades que gosta de fazer teatro amador, Adam Devine é também aqui inconstante, demasiado dinâmico e enérgico para o papel de Phil, que se pretende que seja um desastre social. E a acompanhá-lo no exagero segue o trabalho de cinematografia de Ben Kutchins, repleta de “zooms” intrusivos, claramente a procurar ritmo e pulso onde não existem.

“Jexi” explora o perigo da dependência do telemóvel, motivando para mudar para a conexão pessoal, mas é tão gratuito e desesperado em nos fazer rir com as particularidades e coincidências dessa servidão que chega a provocar o contrário, deixando-nos ainda mais enterrados no ecrã do telemóvel, à espera que o tempo passe.

“Jexi”: nos cinemas a 26 de dezembro.

Crítica: Daniel Antero


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