Mario Party Top 100 3DS

Estamos atualmente a viver uma nova época de ouro dos jogos de tabuleiro. Há cada vez mais pessoas a descobrirem o prazer de estarem sentadas à volta da mesa com amigos ou familiares para jogar títulos como Os Descobridores de Catan, O Rei de Tóquio ou Dixit.

A interação social, aliada a experiências de gameplay originais e inovadoras, proporcionam aos participantes talvez alguns dos momentos mais divertidos e memoráveis que possam ter a jogar um jogo.

Ainda há dias, numa sessão tardia de Cards Against Humanity, o vosso escriba viu uma amiga a cair da cadeira de tanto rir com uma combinação de cartas lançada por um dos participantes. Foi a loucura total, e todos acabaram a noite com um sorriso de costa-a-costa.

“Bonito… mas o que tem isto a haver com videojogos, Paulo?” perguntam-me vocês. Pouco ou nada, infelizmente. E é esse o problema:  Os vídeo-jogos modernos poucas vezes costumam ser tão divertidos e memoráveis.

Lembro-me ainda com saudade das tardes passadas a jogar Worms ou Sensible Soccer com amigos, todos sentados à volta da televisão, a partilhar momentos de vitória ou derrota. Mas hoje em dia, salvo algumas excepções, o multi-jogador dá-se maioritariamente online, ficando algum do “fun” pelo caminho.

Mas se há uma empresa que não gosta de seguir tendências alheias, essa é a Nintendo. Ao longos dos anos, ela sempre se viu como o bastião do jogo familiar, e não há título seu que melhor materialize essa filosofia que os Mario Party.

Originalmente lançado em 1999 para a Nintendo 64, o primeiro Mario Party pretendia “casar” os jogos de tabuleiro com as consolas, aproveitando o poder delas, para proporcionar uma jogabilidade impossível de ser replicada com dados e um tabuleiro em cartão.

Desde então, todas as consolas lançadas pela Nintendo tiveram direito a pelo menos uma edição do jogo, e na 3DS já vamos com 3 títulos exclusivos. Mas mais do que um título tradicional da saga, Mario Party: The Top 100 é acima de tudo uma celebração dos últimos 18 anos, um “best of” do melhor que a saga nos ofereceu de Mario Party 1 a 10.

 

Se bem que tamanha fartura em conteúdo deixe qualquer veterano da série satisfeito, sentimos algum amargo de boca quando nos apercebemos das concessões feitas.

É que toda a atenção foi virada para a inclusão do maior número de níveis possível, tendo descurado um dos elementos mais importantes nos jogos de tabuleiro: o próprio tabuleiro.

Em vez de toda a acção se desenrolar em cima de grandes tabuleiros de jogo, como nos edições anteriores, aqui achou-se por bem só oferecer mini-tabuleiros para partidas curtas.

Assim, além da lista onde se acede individualmente a cada mini-jogo, existe a “Minigame Island”, que oferece uma curta campanha single-player que decorre em quatro ilhas.

Em cada uma, temos de completar um determinado número de mini-jogos contra o computador para chegar ao boss final e poder avançar para o próximo nível. É um modo single-player que se completa em pouco tempo.

Depois temos o “Minigame Match”. Aqui a acção decorre em cima de um tabuleiro contra 3 adversários, onde além do número de turnos também podemos escolher a temática dos mini-jogos (escolha por género, plataforma, temática, etc…).

É o modo que mais se aproxima dos títulos anteriores, mas que aqui peca pela pequenez do tabuleiro, onde todos se acabam por atropelar e onde a vitória depende mais da sorte de calhar numa área com estrelas (que atribuem pontos de vitória).

A seguir há o “Championship Battles”, uma versão (ainda) mais aligeirada do modo anterior, onde continuamos a defrontar 3 adversários ao longo de 3 ou 5 rondas, mas onde não existe qualquer tabuleiro.

Continuamos a poder escolher a temática dos mini-jogos, e é um modo indicado para quem só pretende um joguito rápido antes de apanhar o autocarro ou ír jantar.

 

Por fim existe o modo multi-jogador da praxe, onde até 4 jogadores se podem afrontar. A boa notícia é que não é necessário todos possuírem uma cópia do jogo, já que é suportada a opção de download play. A má notícia, é que infelizmente não existe uma opção de multi-jogador online, só multi-jogador local.

Para concluir, achos que este jogo se destina a quem é fã de longa data da saga Mario Party, ou a quem se costuma encontrar com amigos para umas jogatanas na 3DS. Ter numa portátil o top 100 dos melhores mini-jogos da série Mario Party na palma da mão, e poder em qualquer local desafiar os amigos para um joguito é divertido.

Mas se for para jogar sozinho, já não sabemos se o “fun factor” está tão presente. Sem o contexto de se estar a jogar num grande tabuleiro, faz com que os mini-games sejam menos emocionantes de se jogar.


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