Mrs. America: Cate Blanchett lidera série dramática sobre feminismo e ambição

Minissérie criada por Dahvi Waller (Mad Men), traça a ascensão e a queda da Emenda da Igualdade de Direitos. Esta validaria uma garantia constitucional de direitos iguais para as mulheres, banindo qualquer discriminação baseada no sexo.

Examinando um momento tão expansivo e crucial da história americana, Mrs. America assume uma posição didáctica, ambiciosa, recordando várias líderes do movimento feminista e anti-feminista.

Com nove episódios, intitulados a partir do nome de cada uma dessas figuras, aborda o conflito entre as mulheres liberais que lutaram pela aprovação da emenda e as donas de casa conservadoras que orgulhosamente se opuseram.

Seguimos Gloria Steinem (Rose Byrne), a criadora da revista feminista Ms.; Shirley Chisholm (Uzo Aduba), a primeira mulher negra a concorrer à presidência; Bella Abzug (Margo Martindale), uma estratega pragmática, que sabe o que pode obter num Congresso liderado por homens; Betty Friedan (Tracey Ullman), autora do livro pioneiro The Feminine Mystique; entre outras.

Projectando reconhecimento, ressentimento e pesar, Mrs. America narra a história e as razões que irão frustrar os seus ideais, pois o desmoronamento da ERA (Equals Right Amendment) será vaticinado às custas da maior activista da oposição: Phyllis Schlafly (Cate Blanchett), a fundadora do movimento STOP ERA.

Cate Blanchett como Phyllis Schlafly

Ela é a figura central do primeiro episódio, “Phyllis”, onde através de uma sorridente Cate Blanchett, régia e de olhar impenetrável, vemos o crescendo das suas posições anti-feministas. Curiosamente, apesar de subjugada por homens poderosos em reuniões onde era a autoridade em determinada matéria, Schlafly pretendia poder e a oportunidade apresentou-se.

Rose Byrne como Gloria Steinem

No segundo episódio, saltamos para o outro lado da barricada e acompanhamos o mundo de “Gloria” Steinem, enquanto esta procura afastar-se dos avanços de Bella Abzug, que pretende que se torne uma voz no jogo político.

Neste ponto, a responsabilidade de Mrs. America enquanto lição de história torna-se mais evidente, com um carácter denso e explicativo. Mais do que vivermos as forças e fragilidades das mulheres apoiantes da ERA, vamos assistindo à exposição da agenda feminista e da estratégia política para inspirar os eleitores e os legisladores a votarem “SIM”.

Uzo Aduba como Shirley Chisholm

Já no terceiro episódio, “Shirley”, Mrs America compõe uma aula na discussão da raça no que diz respeito ao feminismo, à identidade pessoal e ao panorama político.

Segue a campanha presidencial de Chisholm, detalhando os movimentos de bastidores da Convenção Nacional Democrática de 1972, onde foi pressionada a libertar os seus delegados para o candidato George McGovern, que acabaria sendo derrotado por Nixon.

Interseccionando a psicologia e o activismo, a manipulação e as ilusões egocêntricas de cada uma das envolvidas, cria drama e lutas internas entre figuras vibrantes. Discorrendo sobre vários tipos de pensamentos, atitudes e vivências sobre o ser-se mulher, revelará como os interesses individuais podem degradar o nível de decência e acabarão por prejudicar a missão.

Estreada a 18 de Abril na HBO Portugal, com três episódios disponibilizados, é certo que Mrs. America irá oferecer uma viagem intrigante ao passado, em modo de estudo de personagem e ensaio feminista.


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