Mudbound

A partir do livro homónimo de Hillary Jordan, Dee Rees cria com pulso e talento, a obra Mudbound, a imundície de uma época.

Estamos nos anos 40, pós 2ª Guerra Mundial. No Mississipi, duas famílias vivem como espelhos uma da outra, mas sem a mesma liberdade.

De um lado, os McAllan, (Carey Mulligan, Jason Clarke, Garrett Edlund e Johnathan Banks). Do outro, os Jackson (Rob Morgan, Mary J. Blige, Jason Mitchell).

Enquanto que os McAllans procuram estabilizar-se financeiramente, na sua quinta de algodão, os Jackson estão às suas ordens, aguardando o dia em que poderão ter um simples pedaço de terra, a que chamaram seu. Ambas famílias têm filhos na guerra: Jamie McAllan (Garrett Edlund) e Ronsell Jackson (Jason Mitchell), que quando retornam, vão ter de lidar com o stress pós-traumático e com o racismo.

Os dois descobrem entre si, a força para superar o vazio, procurando ajustar-se à nova realidade…mas a sua relação de camaradagem, é mal vista pelos olhares da cidade.

Garret Edlund e Jason Mitchell

Literário, ouvindo as vozes de seis personagens, numa intrincada e exímia montagem, Mudbound enterra-nos no Sul profundo da América, dando-nos a respirar o interior, alinhando os seus medos e as suas torturas.

Com um ensemble de actores intenso, onde não existe uma personagem principal, são os seus rostos que nos marcam: a miséria bela de Laura McAllan (Carey Mulligan); a tenacidade e ternura de Florence Jackson (Mary J.Blige); a crueldade de Pappy McAllan (Johnathan Banks); a emoção e coragem de Hap Jackson, (apaixonante interpretação de Rob Morgan); o olhar estóico, inabalável de Henry McAllan (Jason Clarke); a doçura de Ronsell e o trágico herói Jamie.

Mary J. Blige

Filmados com dureza por Rachel Morrison, numa fotografia acinzentada, expressam a dificuldade de atravessar a lama que arrasta os seus preconceitos, impedindo-os de aceitar o desenvolvimento social e racial.

Machismo, racismo, o papel da mulher, o sonho americano e o pessimismo de uma época. Dee Rees e o co-argumentista Virgil Adams, espelham os anos 40 e o Mississipi nos dias de hoje, dominando-nos num ritmo lento, até um final violento e estranhamente libertador.

ESTREIA: 18/01/18


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