“Na Sombra da Lei”: Mel Gibson e Vince Vaughn juntos em “road movie” sádico e perverso

Novo filme do realizador S. Craig Zahler mostra que os atores principais estão em grande forma.

Depois de “Bone Tomahawk” com Kurt Russell, que se chamou por cá “A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas”, e “Rixa no Bloco 99”, o realizador S. Craig Zahler traz-nos mais um filme de imersão e fusão de géneros, onde a opulência absurda vive com o gore extremo, sempre com um ambiente “sui generis” de uma procissão funerária em que ninguém acerta bem o passo.

“Na Sombra da Lei”, ou “Daggred Across Concrete” na sua versão original, é um drama/suspense/gore onde seguimos a viagem de dois polícias vigilantes até ao submundo do crime.

Personagens ambíguas, que procuram calibrar o seu código moral após serem suspensos por abuso de força, Ridgeman (Mel Gibson) e Lurasetti (Vince Vaughn) irão encontrar Henry Johns (Tory Kittles), um ex-prisioneiro de volta ao crime, envolvido num plano com violência desmedida. Todos são parte de uma emboscada sombria, onde vão encontrar mais do que pretendem.

Com cenas que respiram pesadamente, vamos acompanhando Gibson e Vaughn numa espécie de “road movie” espiralado. Num ciclo de para-arranca, aguardamos com eles no interior do carro, comendo, dormindo, vigiando através de uma câmara, até sermos interrompidos por uma piada seca, um rodilho técnico policial ou uma análise profunda das motivações de cada personagem.

Com este terceiro filme, Zahler, o novelista tornado realizador, torna a sua verborreia numa marca registada, debitando aliterações pungentes como insultos saídos da boca de um detective “hard boiled”. Neste registo, Gibson e Vaughn são poderosos e mostram que são ainda excelentes actores.

Já as interpretações do elenco que à volta deles gravita são eloquentes e, por vezes, teatrais na sua irreverência e magnificência, criando um desequilíbrio nervoso e ominoso.

Nestes momentos sabemos que a ironia da escrita de Zahler irá prevalecer e o exagero só tem uma forma de ser parado: com o outro lado da emboscada, onde encontramos o gore e assassinatos que ocorrem por ninharias monetárias, com futilidade e frieza, quase por desporto.

S. Craig Zahler é sadismo e perversão. É malícia floreada de pompa, como um artesão arrogante e indulgente na sua arte.

“Na Sombra da Lei”: nos cinemas a 11 de julho.

Crítica: Daniel Antero


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