“Posto de Combate”: um dos filmes mais surpreendentes do ano é “thriller” armado de coragem que nunca se retrai

⭐️⭐️⭐️ Imperativo da sobrevivência durante a batalha junta vários atores filhos de estrelas de grandes filmes de guerra.

SINOPSE: Baseado em factos verídicos sobre a história de 54 soldados dos EUA enviados para um posto avançado de combate numa localização remota no Afeganistão. Contra todos os obstáculos, a unidade de soldados terá de enfrentar o ataque das forças Talibans, no mais sangrento combate americano da Guerra do Afeganistão.



A partir do livro “The Outpost: An Untold Story of American Valor”, do jornalista da CNN Jake Tapper, os argumentistas Eric Johnson e Paul Tamasy contam a história da Batalha de Kamdesh, que ocorreu a 3 de Outubro de 2009 no Afeganistão, quando centenas de talibãs invadiram um desterrado posto de combate de soldados americanos.

Na primeira hora, o realizador Rod Lurie (“O Jogo do Poder”, “O Último Castelo”) assume a futilidade da guerra, revelando a ignorância e a negligência de quem lidera e daqueles que ordenaram a construção de um posto de combate num dos pontos mais indefensáveis num campo de batalha: um vale rodeado de montanhas, onde o atacante tem sempre a localização mais elevada.

Com uma série de episódios que discorrem sobre a rotina do campo, a união e as desavenças entre soldados, o humor como defesa dos seus medos, Lurie apresenta os membros do Posto de Combate Keating como uma fusão de rostos que formam um só soldado: os nomes e patentes são debitados com a fluidez de um campo sempre em movimento, onde qualquer camarada de armas é vital para a segurança do seu próximo, representando força, resiliência e camaradagem.

No meio de tudo isto, parece até mesmo pouco inocente a escolha dos actores: além de Orland Bloom, surgem Scott Eastwood (filho de Clint), Milo Gibson (filho de Mel), James Jagger (filho de Mick) e Will Attenborough (neto de Richard), para figurarem num filme que retrata o heroísmo, a fragilidade e o abandono do soldado americano, do filho que a pátria aguarda e onde supostamente todos são precisos e todos são iguais.

Quando o inevitável acontece e os diálogos interrompidos pela ocasional chuva de balas passam a ser gritos de comando contra uma torrencial talibã, o realizador larga o registo episódico para nos imergir na batalha, colocando-nos num autêntico pesadelo: preocupado em relatar do modo mais autêntico possível as 12 horas de inferioridade e desespero, com o apoio do seu diretor de fotografia Lorenzo Senatore, proporciona um carrossel desorientador e revela o terror com câmaras de mão, planos longos e uma estética de videojogo.

O pulsar é enervante, a tensão coloca o sangue na garganta, a coreografia da batalha é selvagem e as ilusões alimentadas pela pretensa valentia, fanfarronice e glória militar de peito feito, são rapidamente destruídas para dar lugar ao espírito coletivo, irmandade e proteção do próximo. Algo vivido tenazmente pela personagem de Caleb Landry Jones, numa série de ações honradas e traumatizantes.

Num estranho ano de cinema, “Posto de Combate” é um filme surpreendente que enaltece as várias condecorações entregues após esta batalha, mas não esquece o seu custo e como tudo adveio do fracasso a nível estrutural e estratégico. Termina com mortalhas, mensagens de luto e memórias que não se apagam, como poderá ver quem ficar para ver os créditos finais…


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