“Raparigas Rebeldes de Paradise Hills”: história não está ao nível da sumptuosidade estética “sci-fi”

⭐️⭐️ Primeira longa-metragem da realizadora espanhola Alice Waddington é uma fantasia distópica principesca com um “design” e guarda-roupa sumptuosos. A história é que não foi tão aprimorada.

“Raparigas Rebeldes de Paradise Hills” é uma fantasia distópica principesca com um “design” e guarda-roupa sumptuosos que ilustram um mundo hiper-feminista. Belo, ornamentado, quase tudo é forrado de luxo e distinção nesta primeira longa-metragem da realizadora espanhola Alice Waddington. Ficou a faltar aprimorar a história.

Nesta narrativa de ficção científica para jovens adultos, a sociedade está dividida em duas classes: os “lowers” e os privilegiados “uppers”. A “upper” Uma (Emma Roberts), apaixonada por um “lower”, recusa casar com o homem que poderá salvar a sua família da bancarrota. Os seus pais, indignados, decidem interná-la num centro de reabilitação, durante dois meses, para ser “corrigida”.

Algures entre um “spa” luxuoso e um hospital mental, Paradise Hills é uma instituição dirigida pela Duquesa (Milla Jovovich), uma espécie de Rainha de Copas misturada com a vilã do Batman, Poison Ivy, obcecada por cortar os espinhos das rosas e metaforicamente, da sociedade. Revoltada por estar neste “colégio interno fascista”, Uma não perde um segundo para fugir, mas os segredos obscuros da Duquesa são fortes e o escape difícil de alcançar.

Escrito por Waddington, Nacho Vigalondo e Brian DeLeeuw, “Raparigas Rebeldes de Paradise Hills” é um universo de alta-costura com “cosplay” japonês, integrado num parque de diversões de “Alice do País dos Maravilhas”, pontuado por detalhes “steam-punk” de tons pastel. Uma materialização de um delírio feminino pré-adolescente, onde carrosséis, labirintos de rosas e neons encantam e acalmam os desejos de revolta das suas personagens… para mascarar uma lavagem cerebral imbuída nas sessões terapêuticas, por meio de manipulação de data, “glitches” de vídeo e leite drogado, saídos de uma distorção algo parecida com “A Laranja Mecânica”.

A estética é coesa e requintada, mas todo esta bonito paraíso é deitado abaixo pelo parafrasear das ações, onde todos anunciam o que irão fazer, o dispositivo “deus ex machina” saturado que apresenta personagens vindas do nada, as reviravoltas nas motivações, engenhos e mesmo a própria natureza do universo.

“Raparigas Rebeldes de Paradise Hills”: nos cinemas a 7 de novembro.

Crítica: Daniel Antero


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