The Umbrella Academy

Sai da frente, Marvel. “The Umbrella Academy” chegou para enfrentar o apocalipse e assumir o trono na Netflix

Depois da Marvel ter atingido o pico no serviço streaming com as histórias individuais dos lone rangers  Daredevil, Jessica Jones e Luke Cage e esgotado a energia quando os uniu numa salganhada de nome The Defenders, chegou agora a hora de sair do palco televisivo e dar espaço aos seus súbditos.

No mesmo dia que a DC estreou Doom Patrol, baseada na run de Grant Morrison, a Netflix estreou também The Umbrella Academy, de Gabriel Bá e Gerard Way (vocalista da banda My Chemical Romance).

The Umbrella Academy

Ambas as obras narram as desventuras de um grupo de super-heróis desajustados, com elementos de meta-humor e storytelling cheio de garra. Modelo de narrativa das comics já conhecido, com Doom Patrol, Fantastic Four e X-Men à cabeça, (emulando-se uns aos outros ao longo das décadas)…mas este The Umbrella Academy distorce um pouco o padrão.

Na criação do mito do super-herói, existe quase sempre algo traumático e mais tarde catártico, que define os valores e missão da nossa personagem: o Super-Homem tem problemas de identidade, Bruce Wayne viu os seus pais morrerem, Peter Parker não conseguiu salvar o Tio Ben…

A partir da obra vencedora do Eisner em 2008, o showrunner Steve Blackman adapta a história de um grupo de jovens com poderes especiais, misteriosamente nascidos todos no mesmo dia. Adoptados pelo bilionário Sir Reginald Hargreeves (Colm Feore), crescem juntos numa mansão, onde aprendem a lutar contra o crime…até se fartarem, se afastarem uns dos outros e largarem o seu fardo e trauma para trás: serem super-heróis.

The Umbrella Academy

Mas doze anos mais tarde, quando Hargreeves morre, o fortíssimo Luther (Tom Hopper), o ninja Diego (David Castañeda), a controladora de mentes Allison (Emmy Raver-Lampman), o medium Klaus (Robert Sheehan), a ordinária Vanya (Ellen Page) e o viajante no tempo Número Cinco (o surpreendente Aidan Gallagher) têm de se reunir e tentar trabalhar em conjunto com os seus distintos super-poderes, para desvendar o mistério que rodeia a morte do “pai”. Ou não. Se lhes apetecer.

Durante dez episódios de uma hora cada, e ao som de uma banda sonora brutal de Jeff Ross, que une elementos de rock e orquestral rendilhado que respiram a personalidade de cada irmão, os elementos do arco narrativo da mini série Apocalypse Suite e Dallas têm lugar, desvendando a origem das personagens, abrindo o caminho para os seus verdadeiros propósitos e a sua função no salvamento do mundo.

THE UMBRELLA ACADEMY

Viagens temporais, um macaco falante, uma dupla de assassinos kick-ass com demasiadas queixas à administração, (Mary G. Blige e Cameron Britton), discussões e birras adolescentes, acontecem num cenário pitoresco de elementos anacrónicos, como que saído de algum filme de Wes Anderson.

THE UMBRELLA ACADEMY

Alguns episódios recorrem a fillers entediantes, como a storyline romântica de Luther e Allison, ou a origem do vilão. Mas as cenas de acção equilibram a série, pois os poderes (e efeitos especiais)  de alteração espácio-temporal, energizam-nos até à próxima birra entre irmãos. Embora usem músicas já gastas na cultura pop, para dar ritmo e emoção: Sinnerman, Don´t Stop me Now ou Happy Together…quantas vezes já não ouvimos isto?

THE UMBRELLA ACADEMY

Com ecos da saga Dark Phoenix dos X-Men, desenvolvida em 1980 por Chris Claremont e John Byrne – principalmente no paralelismo entre a auto-descoberta de Vanya e Jean Grey – de Phoenix a Dark Phoenix; passando pela excentricidade de Lemony Snicket – A Series of Unfortunate Events, mas sem a coragem de abordar toda a estranheza da obra original; terminando com a inquietude e desajuste de The Breakfast Club; The Umbrella Academy é um bom herdeiro ao lugar deixado pela razia dos cancelamentos Netflix. E um eficiente mash-up das influências que ficaram de Doom Patrol e da Marvel, a Casa das Ideias.


About The Author
-

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>