Sete Irmãs

Sete Irmãs é uma oportunidade perdida, pois foi desenvolvida para o meio errado… tem vontade de ser um episódio do Orphan Black ou do Black Mirror, mas não tem o foco para se estender em filme durante duas horas.

Em Orphan Black, num papel que lhe valeu uma nomeação para um Emmy, Tatiana Maslany é Sarah Manning, um clone que se apropria da identidade de outro clone, depois de assistir ao seu suicídio.

Black Mirror é uma antologia sci fi que explora a sociedade moderna e a influência futura das novas tecnologias.

Em 2073, num período distópico (palavra que devia ser nomeada para “Palavra do Ano”, dada a quantidade de vezes usada nos filmes de 2017), o governo estipula a lei do “filho único”, onde irmãos ilegais deverão ser entregues às autoridades, para serem criogenados e futuramente acordados, quando o planeta tiver condições para sustentar a população.

Mas Terrence Settman (Willem Dafoe) não está para aí virado e pretende proteger as suas sete netas, engendrando um esquema de sobrevivência e sanidade mental: a cada uma delas atribui um nome do dia da semana…que passa a ser o dia respectivo em que cada uma pode sair à rua e assumir a identidade da mãe, Karen Settman.

Tudo se mantém calmo e seguro até à segunda feira em que Monday não retorna a casa: Nicolette Cayman (Glenn Close) a vilã de serviço, tomou conhecimento da fraternidade e inicia a busca.

Noomi Rapace interpreta as sete irmãs idênticas, com diferentes personalidades, cada uma mais degradada que a seguinte: temos a irmã geek, a irmã sexy, a irmã emproada, a irmã rebelde, e por aí fora, num manancial cartoonesco de tiques e comportamentos…que mais distraem do que interessam.

Mais física que sensível, Rapace é actriz para Tommy Wirkola, realizador dos filmes de culto Dead Snow, que sabe explorar o gun-fu, intervalando-o com algumas cenas gore inesperadas, numa corrida incansável pelas ruas de Bucareste.

Mas ambos se perdem nos interiores, onde a componente sócio-política, detectivesca e familiar decorrem sem qualquer definição existencial ou propósito científico, fruto do emaranhado saído da cabeça dos argumentistas… que fazem uma tangente às temáticas de Black Mirror, com os dilemas da sobre-população e da escassez de alimentos, para a seguir os ignorarem e se perderem no exercício rítmico de terem sete personagens “iguais” na mesma divisão, que na verdade são todas Noomi Rapace e o filme até seria melhor com uma só.


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