Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker

⭐️⭐️⭐️

Um tributo ao legado, divertido mas sem arrojo.

O universo que definiu a cultura pop, moldou sonhos e se tornou culto, tem agora um marco na sua longevidade. Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker é o final da trilogia das trilogias, a batalha das batalhas, o destino da galáxia.

Ao leme da última iteração de uma saga sempre disposta a entreter as massas, mas sujeita ao escrutínio fervoroso dos fãs acérrimos, o realizador J.J. Abrams tinha uma opção a fazer: jogar pelo seguro, fazendo um filme de fan service, com todas as referências possíveis, criando uma meta-narrativa da mitologia; ou assumir um arrojo criativo, trazer algo novo ao franchise e focar-se na nova dualidade entre a esperança e o medo, a Jedi Rey e o Sith Kylo Ren.

Pois, este fã incondicional da série, que escreveu o argumento a par de Chris Terrio (Justice League), decidiu por uma mistura das duas: numa celebração iconográfica, criou uma check-list repleta de vinhetas do passado, com memórias, locais, vozes e efeitos práticos, relembrando quarenta e dois anos de admiração pela fantástica obra de George Lucas. Como a lista é extensa, recorreram a McGuffins episódicos e deus ex machina esforçados, de forma avançar a narrativa sem apelo nem agravo. E também introduziu algo “novo”, entretanto anunciado nos trailers. Distorcendo a narrativa composta na trilogia encabeçada por Rey, Kylo, Poe, Finn e o espectacular vilão Snoke, e colocando mesmo em causa alguns actos de Return of the Jedi…o Imperador Palpatine está de volta.

Na galáxia muito, muito distante, o filme arranca como Líder Supremo Kylo Ren (Adam Driver) em busca do Imperador (Ian McDiarmid), que escondido nas sombras, há muito que manipula o destino da galáxia. O confronto é iminente e ao que parece inevitável, mas Palpatine oferece a Kylo Ren o poder da sua derradeira arma: a Ordem Final, uma frota de Star Destroyers. Em troca, quer a morte de Rey (Daisy Ridley).

Do outro lado estrelar, Finn (John Boyega), Poe (Oscar Isaac), Chewbacca (Joonas Suotamo), C-3PO (Anthony Daniels) e Rey, partem em busca de um artefacto que os levará ao planeta do imperador. Pelo caminho, Rey enfrentará Ren e finalmente, descobrir a sua origem.

Esta busca levará a equipa a vários planetas, e é aqui que o génio de Star Wars se eleva. Aliens, droids, stormtroopers voadores, criaturas engenhosamente desenhadas para nos arrancar suspiros e gargalhadas –  como o amoroso e tresloucado Babu Frik -, batalhas épicas nas ruínas da Death Star…e o que de melhor a indústria de efeitos especiais nos pode oferecer. Acompanhados da banda sonora de John Williams, estamos preparados para tudo. Mesmo para plot-holes, motivações por explicar ou sequências demasiado curtas, onde os diálogos são expositivos e preguiçosos, e novas personagens servem somente para deixar objectos de desbloqueio aos nossos heróis.

Rey (a personagem com o background mais sólido) e Kylo continuam a sua dança telepática de olhares lamechas e sofridos, que rapidamente passam a batalhas espectrais divididas entre várias localizações; Poe e Finn têm a sua camaradagem sempre em alta, com um espírito de aventura pleno do cinema dos anos 80. C-3PO, R2D2 e BB8 acolhem o novo droid D-0 na família. E ainda há espaço para a intriga e espionagem no seio da Primeira Ordem.

A narrativa é vagamente coerente, debitada com um ritmo alucinante, repleto de adrenalina. São muitos personagens para um final apoteótico, percebe-se, e sente-se a falta de decisão nesta última trilogia e as viragens que aconteceram ao longo do caminho.

Mas preparem-se para respostas, surpresas chocantes, reviravoltas que poderão criar espanto ou desapontamento, diversão e emoção. Sentida, pois a ficção confunde-se com a realidade, e Carrie Fisher, (que é a espinha dorsal do filme com a sua relação poderosa, quase simbiótica com o filho Kylo Ren), tem aqui o seu tributo.

E é isto que é Star Wars: Episódio IX – A Ascensão de Skywalker. Um tributo ao tributo, um ciclo de loops narrativos que fazem eco das primeiras trilogias, cameos, retornos, lutas épicas de lightsabers em cenários estonteantes, momentos cringe e outros sumptuosos. Será um filme divisivo, como qualquer outro de Star Wars. Mas num ano único de ciclos e sagas concluídos na sétima arte, que melhor forma de o fechar com este marco do entretenimento, celebrando a sua existência?

Crítica: Daniel Antero


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