Stratton
 – Forças  Especiais

Stratton- Forças Especiais é o novo filme de Simon West, o realizador daquele que é para muitos o filme ex-líbris de on liners sarcásticos… o rei do cinema que parodia todos os filmes de acção e que na verdade não é um filme spoof… a película que se pode resumir numa só citação: Cy…onara…Sim, esse mesmo: Con Air – A Fortaleza Voadora; é o realizador de Expendables 2, um guilty pleasure / filme-almofada que homenageia toda a testosterona dos anos 80; e ainda também, a cabeça por trás de Lara Croft: Tomb Raider, a adaptação do videojogo que trouxe Angelina Jolie para a ribalta. Como se vê…coisas boas…ou pelo menos, filmes que sabiam onde se posicionavam e ou gozavam com arquétipos, ou revitalizaram estilos entretanto perdidos; ou tentavam abrir caminho para um novo nicho de mercado.

Portanto, a expectativa para este Stratton até era boa e com a sinopse que apresentava “um agente especial contra uma célula terrorista”, suportada pela série literária escrita por Duncan Falconer, (antigo membro da British Royal Marines e Special Boat Service do Reino Unido), West até parecia ter um manancial de opções repletas de autenticidade e interesse, potenciando a energia das operações anfíbias ou perseguições pelos canais de Londres, à boa moda James Bond.

Podia até pensar, quem sabe…numa franquia directa para dvd…mesmo que fosse daquelas que têm lá o John Cena a cumprir um qualquer acordo comercial. Ou o Henry Cavill. Bem, esse não, pois deixou a produção a dias do arranque, por “diferenças criativas”…

Dominic Cooper ficou então com o papel principal, onde apoiado por Gemma Chan, Tom Felton e Connie Nielsen, enfrentam um agente russo capaz de atacar várias cidades com uma arma biológica, através do uso de drones.

Infelizmente, vários foram os factores que diminuíram este thriller com uma premissa bastante actual: Cooper terá tido poucos dias de preparação para o papel e nem o físico, nem o desgaste psicológico transparecem a pressão da sua profissão; Connie Nielsen tem um sotaque inglês demasiado forçado que lhe afecta a representação e Tom Felton exagera em todas as cenas, clamando que olhemos para ele.

Filmado em locais como Londres e Roma, nota-se a falta de orçamento para sequências de acção em grande escala, bem como a falta de criatividade de Simon West, que optando por uma dinâmica agressiva, procura uma linguagem de videojogo saída de um first-person shooter, ou cria sequências, como a que podemos ver na introdução…que parece emular vários momentos da franquia Metal Gear Solid. Mas também a edição não desenvolve o devido ritmo e com uma abordagem caótica, até nos faz perder a orientação nas cenas de acção e bocejar nas de diálogo.

Repleto de intenções satisfatórias mas munido de um mau casting e com dificuldades técnicas, West tem em Stratton- Forças Especiais, um bote furado…o ar vai saindo devagarinho e quando todos se apercebem, já se afundaram.

ESTREIA: 06/07/17

 

 


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