Crítica The Post

The Post

Publicar ou não publicar?

Trump paira como abutre na era das fake news, e Spielberg avançou com urgência para um thriller político dos anos 70, que ecoa a força da liberdade de imprensa e do civismo. Em nove meses produziu The Post, para vincar e afrontar a mão que atrofia o jornalismo.

The Post aborda o caso dos “Papéis do Pentágono” e a posição editorial de Katharine Graham e Ben Bradlee, do Washington Post, em relação à exposição pública de um dos maiores segredos governamentais da Guerra do Vietname.

Papéis pelo ar, telefonemas em segredo, moços de entrega a correr que nem uns desalmados, as gráficas a fumegar, fontes secretas e os jogos de bastidores, este filme tem tudo o que os thriller jornalísticos devem ter. Mas adiciona a isso uma trivialidade que se torna acontecimento na sétima arte: Meryl Streep e Tom Hanks, em cena, juntos.

Spielberg, consciente de ter um momento para a história nas mãos, já que Streep e Hanks nunca antes tinham contracenado, liberta os dois à sua performance…e a primeira cena em que os vemos é logo arrebatadora: plano sequência com os dois a dialogar num restaurante, a saltar de emoção e emoção, com o frenesim e o fumo típico da ambiência dos anos 70 a tentar incomodar-nos…mas não há como desligar dos dois.

Meryl Streep é Katharine Graham, a publisher do Washington Post, subestimada pela administração masculina, que terá de decidir sobre a publicação dos documentos, colocando em risco a sua família e o seu legado. Meryl, correndo o risco de ser mais uma vez…Streep, consegue de novo surpreender, e a solidão e hesitação de Graham carregam mais uma nomeação aos prémios da temporada.

Tom Hanks, o James Stewart encarnado, é Ben Bradlee, o editor executivo do Post, responsável por descobrir os documentos e atacar com princípios, a verdade. Maestro de um ensemble de excelentes actores, tem fervorosa e humorada resposta dos membros da redação, em especial na interpretação de Bob Odenkirk.

Bob Odenkirk, Tom Hanks e David Cross

Magnéticos e carismáticos, são as duas parangonas deste filme.

Spielberg é também ele um maestro da tensão e do suspense. Já não há segredos para o realizador. Quer seja numa conversa telefónica que se transforma num momento decisivo da História,  no tique-taque que espera que as gráficas comecem a trabalhar,  mune-se dos seus habituais colaboradores e transporta-nos para o secretismo dos filmes de espionagem dos anos 70.

Com a banda sonora de John Williams e cinematografia de Janusz Kaminski, são vários os momentos hitchcockianos de atmosfera tensa e de rastilho longo. Evocam em The Post, a energia dos anos dourados do jornalismo e a necessidade de decisão. Que prevaleça sobre governos, documentos e a mentira. Sobre Eisenhower, Nixon, Kennedy ou Trump.

Publicar.

ESTREIA: 25/01/18


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