“WandaVision”: comédia de costumes charmosa e caprichada da Marvel esconde algo aterrador

⭐️⭐️⭐️

Divertido pastiche a clássicas séries televisivas como “Casei Com Uma Feiticeira” e “A Quinta Dimensão”, é a entrada do registo da “sitcom” no Universo Cinematográfico Marvel.

SINOPSE: “WandaVision“, dos Estúdios Marvel, é uma mistura de televisão clássica e do Universo Cinematográfico Marvel, na qual Wanda Maximoff e Vision – dois seres super-poderosos, que vivem vidas suburbanas idealizadas – começam a suspeitar que nem tudo é como parece.


A primeira série da Marvel para o Disney+ é uma abordagem refrescante e leve que nos deixa respirar e relaxar após o peso dos eventos de “Vingadores: Endgame”. E também fazer perguntas sobre o que aí vem, pois este é o início da “fase 4” da narrativa estruturada por Kevin Feige, presidente da Marvel… e algumas personagens que aqui encontramos “bem de saúde” desapareceram às mãos do vilão Thanos.

Em “WandaVision” o foco está em Wanda Maximoff, também conhecida como Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany), super-heróis que têm de esconder os seus poderes num típico subúrbio dos EUA nos anos 1950.

Com gosto satírico, eles encontram-se num mundo polido onde os comités de organização de festas e os de vigilância são desculpas para jogos de cartas e bebericar, enquanto se corta na casaca do vizinho do lado. Os jardins são alvo de inveja, as ruas limpas e incólumes, mas as aparências iludem.

Neste cenário, Wanda e Vision são um casal amoroso, pirosamente amoroso, que não passam sem se telefonarem durante o dia de trabalho embora separem as camas à noite.

Trata-se de uma verdadeira paródia, uma comédia de costumes, onde os atores são alegres, espirituosos e adoráveis como a dona de casa cumpridora e o funcionário dedicado, que têm de lidar com várias personagens que adoram e estranham as suas peculiaridades.

Tudo sob o estilo da televisão nostálgica da época, filmado a preto e branco e 4:3 (os primeiros dois episódios), com gags charmosos que aguardam que a típica banda sonora sonora de riso invada o estúdio e esporádicas animações em modo Hanna-Barbera.

Mas esta não deixa de ser uma série da Marvel sobre uma bruxa poderosa e um robô senciente energizado pela Pedra da Mente. E eles estão presos num mundo que não compreendem e vivenciam tal e qual como nós assistimos.

Assim, quando no final do primeiro episódio vislumbramos um pouco para além do que Wanda e Vision experienciam, bem como outros momentos bizarros e objectos coloridos que vão sendo introduzidos para romper o cenário idílico, percebemos que este universo é uma construção mutável que os condiciona: cada episódio é embrulhado numa década diferente de “sitcoms” de televisão, e os três primeiros correspondem às décadas de 1950, 1960 e 1970.

Passamos então para as tropes  dignas da série “A Quinta Dimensão”, onde o mistério se adensa e ficamos como o nosso casal de pombinhos: intrigados e a tentar pereceber o que se passa, armados em ávidos detetives que buscam segredos escondidos que nos deem respostas.

Com “WandaVision”, a Marvel olha para o passado para preparar o futuro, e mesmo que o registo “antiquado” possa afastar alguns espectadores e algumas piadas rapidamente fiquem gastas, abre de forma auspiciosa, despertando curiosidade e entusiasmo com a elasticidade do Universo Cinematográfico Marvel.


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