“White Lines”: Nuno Lopes percorre a linha do estrelato na nova série da Netflix

⭐️⭐️⭐️

A nova série de Alex Pina, o criador de “La Casa De Papel”, mistura tragédia, comédia e o mundo do crime, num cocktail de mistério, sexo e drogas, desesperada por provocar uma trip escapista e nostálgica.

Sinopse: Quando o corpo de um lendário DJ de Manchester é descoberto 20 anos após o seu desaparecimento em Ibiza, a irmã dele regressa à bela ilha espanhola para descobrir o que aconteceu ao certo. A sua investigação irá mergulhá-la num mundo confuso de discotecas, mentiras e dissimulações, forçando-a a confrontar o seu lado mais obscuro num lugar onde se vive a vida no limite.

Série perfeita para quem está saturado de estar em casa, “White Lines” tem dez episódios enérgicos e é “over the top”: não há tempo para ressacas sobre o sol abrasador de Ibiza.

Sob a perspectiva de Zoe (Laura Haddock, a Meredith Quill de “Guardiões da Galáxia”), acompanhamos duas linhas temporais: os dias de glória de Alex Collins nos anos 90 (Tom Rhys Harries), enquanto este e o seu grupo de amigos traçam o caminho desde os clubes clandestinos de Manchester até às plataformas de DJ em Ibiza; e o presente, onde Zoe, traumatizada pela ideia de abandono, reavalia todo o seu passado e parte numa jornada de auto-descoberta e de investigação, para saber quem assassinou o seu irmão.

Seguimos então numa aventura repleta de personagens esforçadas e exageradas que povoam as praias baleares, onde uma trama de filme de gangsters e assassinatos no mar vai decorrendo à margem do excesso de festas e orgias.

Para equilibrar este lado negro e denso, o autor Alex Pina (“La Casa de Papel”) sabe o que vende e cativa, e não descora a introdução de momentos cómicos inusitados, como uma banana insuflável cheia de cocaína e cães que snifam o que não deviam.

Mas todo este universo de abusos e de graça ilude e acaba por ter um peso desorientador em Zoe, que entre o trauma e a instabilidade mental, vai perdendo o rumo por se envolver com os vários suspeitos.

No grupo está a poderosa e disfuncional família dos Calafat, com quem Alex Collins se rodeou, onde os atores espanhóis Belén López, Marta Milans, Juan Diego Botto e Pedro Casablanc compõem uma dinâmica incestuosa estranhamente magnética; os amigos que viajam para Ibiza com Alex em busca de um sonho, composto pelos atores ingleses Daniel Mays, Angella Griffin e Laurence Fox; e o ator português Nuno Lopes, interesse romântico da protagonista e a melhor interpretação de “White Lines”.

Como Boxer, o chefe pessoal de segurança dos Calafat, Lopes, que fala em espanhol e inglês, é duro e sensível, frio e apaixonado, simples e intelectual, criando uma figura de contradições, que apesar de ter alguns traços pouco credíveis para a sua totalidade, é uma panóplia de emoções “badass” que muitos homens desejariam ser e muitas mulheres queriam ter ao seu lado.

No elenco, destaque ainda para a presença de Paulo Pires, claramente a divertir-se no papel do milionário George; e de Rafael Morais, como um Boxer mais jovem.

Apesar de ter os ingredientes certos para se tornar o sucesso primaveril da Netflix, o argumento de “White Lines” é como uma história contada por um grupo à volta de uma mesa, em que cada um floreia a sua parte. Intrincado, mas pouco suportado, enaltece a loucura de cada um, mas afunda-se nos dramas individuais, agastando-se e perdendo o seu registo global de mistério e “thriller”.

O balanço é uma série bem-humorada e cheia de ritmo, que é uma óptima sugestão para “binge-watching”, se não levarmos muito a sério.


About The Author
-

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>